<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222</id><updated>2011-07-30T23:34:17.403-07:00</updated><category term='Grafite'/><category term='Biografia por Dênis de Moraes'/><category term='Atividade RJ'/><category term='Artigo Ademar Bogo'/><category term='Artigo Joaquim Câmara Ferreira'/><category term='Poesia de 2009 Ademar Bogo'/><category term='Entrevista com Clara Charf'/><category term='Nota do PCB'/><category term='Atividade Bahia'/><category term='Artigo Florestan Fernandes 1984'/><category term='Poesia de 1969 Ana Montenegro'/><category term='Atividade RJ 11/11'/><category term='Atividade UFF'/><category term='Resumo biográfico'/><category term='Artigo Florestan Fernandes'/><category term='Pronunciamento de Aton Fon'/><category term='Atividade SP'/><category term='Atividades ALERJ'/><category term='A atualidade de Carlos Marighella'/><category term='Artigo Alipio Freire'/><category term='Fotos do Ato na Cinelandia dia 04/11'/><category term='Entrevista Denise Rollemberg'/><category term='Artigo Roberto Mansilla'/><category term='Artigo Emir sader'/><title type='text'>Marighella Vive 1969-2009</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-4732397119061862144</id><published>2009-11-06T15:52:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T15:56:39.899-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Roberto Mansilla'/><title type='text'>“Não tive tempo para ter medo”</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.carlos.marighella.nom.br/encontra.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 358px" alt="" src="http://www.carlos.marighella.nom.br/encontra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Não tive tempo para ter medo”&lt;br /&gt;CARLOS MARIGHELLA – HERÓI DO POVO BRASILEIRO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por Roberto Mansilla&lt;br /&gt;(Mestre em História – UFF e Professor de História da Rede Municipal do Rio de Janeiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Marighella, assassinado há 40 anos (04.11.1969), foi quem melhor encarnou a resistência à ditadura militar que pela coerção governou o Brasil durante 21 anos (1964-1985).&lt;br /&gt;A história não é contemporânea de si mesma. Pela ótica da Lisboa quinhentista, o acidente de percurso das caravelas de Cabral representou uma descoberta. Segundo os índios pataxós de Monte Pascoal, significou uma invasão e, em seguida, um genocídio.&lt;br /&gt;A história é também um jogo semântico. Embora os telejornais, hoje, pronunciem "guerrilheiros", onde antes diziam "terroristas"; "ditadura", onde antes falavam "governo"; "torturas", onde antes mencionavam "abusos"; o nome de Carlos Marighella ainda não se livrou da pronúncia clandestina. Há quem prefira silenciá-lo para não sentir-se questionado pelo que ele significa de firmeza de convicções e, sobretudo, idealismo centrado no direito de todos os brasileiros à dignidade e à justiça.&lt;br /&gt;Marighella situa-se entre aqueles que, com seu sangue, escreveram as mais importantes páginas da história do Brasil: Zumbi, Sepé Tiaraju, Tiradentes, Cipriano Barata, Frei Caneca, Angelim, Antônio Conselheiro, Octavio Brandão, Luiz Carlos Prestes, Francisco Julião, Virgílio Gomes da Silva, Mario Alves, Carlos Lamarca, Apolônio de Carvalho e tantos outros. São nomes que ainda não saíram das sombras a que a elite insiste em relegar a nossa história. Em nossas escolas, e nos raros programas televisivos que se referem à história do Brasil, poucos conhecem a geografia semântica de termos como Palmares, Cabanagem, Canudos, Contestado, Farrapos, Praieira, Confederação do Equador, Coluna Prestes, Eldorado de Carajás.&lt;br /&gt;Filho de imigrantes italianos, Marighella encontrou no Partido Comunista o esteio que lhe forjou o vigor combatente. Deputado federal constituinte, não se deixou cooptar por aqueles que, após a ditadura Vargas, buscaram um pacto político que não incluía os direitos econômicos das classes populares. Marighella não ambicionava o poder, mas o Brasil soberano, livre da submissão ao capital estrangeiro.&lt;br /&gt;Por fidelidade a suas origens operárias, rompeu com o PCB para aderir ao primado da ação. Estava cansado de documentos e palavras, quando o momento exigia, como ainda hoje, mudanças radicais na estrutura social brasileira. Queria uma revolução. Porém, desde os anos 1930, a elite brasileira repete com insistência: "Façamos a revolução antes que o povo a faça". É o que se vê nesses supostos projetos contra a pobreza apadrinhados, em véspera de eleições, por aqueles que se situam entre os responsáveis pela escandalosa desigualdade social reinante no Brasil.&lt;br /&gt;Uma nação ou uma pessoa que se envergonha de sua própria história corre o risco de perder raízes e identidade, qual colonizado que louva o colonizador e procura imitá-lo. A vida de Marighella foi um gesto de coragem ao dizer NÃO! ao terrorismo de Estado no Brasil. Quarenta anos depois de morto, ele prossegue desafiando a generosidade dos vivos, e apontando, para o nosso país, um caminho de futuro sem desigualdade social, exploração e concentração de renda nas mãos de uma minoria abastada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camarada Marighella, presente!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-4732397119061862144?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/4732397119061862144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/nao-tive-tempo-para-ter-medo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4732397119061862144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4732397119061862144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/nao-tive-tempo-para-ter-medo.html' title='“Não tive tempo para ter medo”'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6336410988642168587</id><published>2009-11-06T12:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:25:30.775-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Ademar Bogo'/><title type='text'>QUARENTA ANOS DE SAUDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSGMzOvfiI/AAAAAAAAAYs/wcIhoLtRXQQ/s1600-h/Marighella_tumulo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401089407592660514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSGMzOvfiI/AAAAAAAAAYs/wcIhoLtRXQQ/s320/Marighella_tumulo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ademar Bogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Marighella é daqueles que mesmo depois de assassinado ainda amedronta os inimigos. Comanda mesmo no silêncio, através das idéias e dos exemplos, exércitos de novas gerações que acreditam nas mudanças revolucionárias.&lt;br /&gt;São quarenta anos longos e lúcidos que em combate ele nos foi tirado à força das fileiras. Quarenta anos de saudade dos mais velhos e de respeito dos mais novos que aprenderam a admirá-lo, mesmo não o tendo conhecido pessoalmente; mas que, sob o seu comando, integram hoje as centenas de trincheiras espalhadas pela pátria inteira.&lt;br /&gt;Nasceu na Rua do Desterro e carregou a sina, desterrando-se e desterrado pelas condenações. Queria o campo; lá era o espaço da guerrilha, mas o tempo não permitiu que fizesse essa inflexão no destino da revolução.&lt;br /&gt;Aprendera nos combates que, para cada ofensiva do inimigo, devia abrir outra frente política. Procurar caminhos alternativos e diversificados, pois é na ação que se faz a organização para acompanhar o movimento das mudanças. Assim sendo, em todo e qualquer avanço sempre deve haver a garantia da retirada. Cuidar de atacar para enfraquecer o inimigo, enquanto se fortalece a própria força.&lt;br /&gt;A geração de Carlos foi de rupturas. Seus comandantes tinham um nome só. Por isso “Carlos” é escrito no plural: Carlos Prestes, Carlos Lamarca e Carlos Marighella. A história esculpira a pancadas cada qual.&lt;br /&gt;A geração de Carlos era universal, porque o imperialismo também o era. Golpeava em todos os lugares do mundo: naqueles já vencidos e nos que ainda se haveria de vencer.&lt;br /&gt;Com sua morte silenciaram as massas e no silêncio a nação perdeu a graça. Não pode haver vitórias quando os povos perdem os seus líderes mais conscientes. Eles compunham a parte que pensava diferente, sonhava diferente para o tempo futuro. Combatiam aqueles que ditavam as diferenças, matavam seus irmãos e bajulavam os capitalistas. Não podem ter vencido aqueles que ao império haviam se vendido.&lt;br /&gt;A geração de Carlos se recolheu e guardou os fuzis. As massas foram ensinadas a empunhar bandeiras. Encheram as alamedas e as avenidas, ouvindo o próprio grito dos aflitos; e o barulho permitiu que o algoz se juntasse a nós.&lt;br /&gt;Disse ele:“A direção ideológica é a condição fundamental para o êxito da direção política”. Quando os êxitos não são êxitos e, nas vitórias ninguém é derrotado; na tática existe algo errado.&lt;br /&gt;Questão de tempo. Se é verdade o que ele defendia, que os meios a serem empregados nas lutas, são aqueles que as massas aceitam, embora os revolucionários devam ajudar a escolhê-los, os fuzis e as bandeiras um dia separados, voltarão e servirão nas mesmas fileiras.&lt;br /&gt;Assim a história encontrará o seu rumo, pois as massas e a vanguarda dela farão o mesmo resumo. Isto sempre ocorre quando as gerações se reencontram e se contam os acertos e as perspectivas, daí renascem as táticas ofensivas.&lt;br /&gt;Carlos Marighella, nunca deixará de ser uma lembrança combativa; a sua imagem continuará viva na memória e em nossos corações. Se os seus exemplos recontam o seu destino, se espalharão como um perfume fino, nas consciências das novas gerações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6336410988642168587?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6336410988642168587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/quarenta-anos-de-saudade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6336410988642168587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6336410988642168587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/quarenta-anos-de-saudade.html' title='QUARENTA ANOS DE SAUDADE'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSGMzOvfiI/AAAAAAAAAYs/wcIhoLtRXQQ/s72-c/Marighella_tumulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-1975290326362935751</id><published>2009-11-06T12:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:22:19.373-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividades ALERJ'/><title type='text'>Marighella vive!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSFVq0iNdI/AAAAAAAAAYk/YNID3i1W1-E/s1600-h/Marighella+alerj.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401088460442449362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSFVq0iNdI/AAAAAAAAAYk/YNID3i1W1-E/s400/Marighella+alerj.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;05/11/2009&lt;br /&gt;O que Antonio Candido, Florestan Fernandes e Jorge Amado há muito enxergaram com profunda admiração, ainda falta muito para que uma maioria abra os olhos e aprenda um pouco mais sobre a vida de Carlos Marighella, que sempre lutou por uma sociedade justa, igualitária e humana. Na esteira de atividades que ocorrem por todo o país em um esforço coletivo de resgate da sua história, houve nesta quinta-feira (5/11), no auditório da Alerj, entre 18h30 e 21h, uma homenagem a esse poeta guerrilheiro, organizada pelo mandato Marcelo Freixo (PSOL), MST e movimento Consulta Popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a cerimônia, houve o lançamento do livro Carlos, a face oculta de Marighella, pela editora Expressão Popular, de Edson Teixeira da Silva Júnior, professor do Centro Universitário de Volta Redonda e doutor em História pela UFF. Em seguida, houve um debate com participação do deputado, do autor do livro e também de Carlos Eugênio Paz "Clemente", que conviveu com Marighella que o comandou na organização Aliança Libertadora Nacional (ALN). "Estamos em uma jornada nacional em homenagem a Marighella. O objetivo é passar para quem não viveu aquela época o exemplo desse lutador", explicou Maria Júlia, da Consulta Popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edson, mais conhecido como Edinho, apresentou o panorama histórico em que a imagem de Marighella se reduziu, para a opinião pública, a de um mero assaltante de bancos ou terrorista. O pesquisador reunidos dados desde a infância do fundador da ALN com o objetivo de apresentar um perfil quase desconhecido do grande público, de um homem terno, solidário, que pregava o amor e a tolerância, na vida pessoal e também na política. "Ele enxergava já naquela época a necessidade do exercício da tolerância entre aqueles que lutavam no campo da esquerda, diante do inimigo comum, um exemplo para nós da esquerda brasileira que nos digladiamos internamente", destacou Edson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O militante da ALN, emocionou o público no auditório ao falar sobre os tempos em que caminhava lado a lado com o poeta guerrilheiro. Clemente tinha apenas 15 anos quando ingressou na ALN e se tornou companheiro de lutas de Marighela. "Como podemos dar a vida a uma causa sem emoção? E Marighela é um exemplo de homem que viveu conforme aquilo que pregava, um homem inteligente, que se formou na Politécnica da Bahia. Ele foi deputado federal aqui no Palácio Guanabara, quando o Rio era a capital do país. Só pegou em armas para enfrentar a tirania", declarou Clemente, autor do livro Viagem à luta armada, sobre suas experiências sob o comando de Marighella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Freixo chamou a atenção para o fato de a imagem da coragem de Marighella ter prevalecido com o passar do tempo em contraponto a sua personalidade de caráter reflexivo: "Embora faça essa observação, é importante que se destaque a coragem, porque esta se contrapõe ao medo. E o medo é produzido de modo estratégico. Há uma produção do medo que nos leva ao isolamento, ao individualismo, à identificação do inimigo. E hoje esse medo não está direcionado à juventude de esquerda, mas ao jovem pobre, negro, da favela, a quem sobrou nessa nossa sociedade de mercado. Há um debate para se saber quem é gente ou não, quem deve ser eliminado no seu significado de existência, quem deve morrer mesmo que ande por aí. A luta da esquerda precisa ser pedagógica para que a gente consiga dialogar com quem tem a face marcada pelo terror".&lt;br /&gt;Freixo destacou ainda que não há democracia para todos no país. "Hoje há tortura, por exemplo. Basta ir às carceragens, às delegacias. Não vivemos em um estado democrático de direito. Não podemos dizer isso enquanto um terço da população vive em estado de exceção, em um contexto onde o estado se associa à barbárie. É por isso que essa luta, da qual fez parte Marighella, precisa continuar, numa luta permanente. E o mandato, em articulação com o movimento social, tem de fazer do parlamento uma trincheira da luta política mais ampliada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eleito com 5 mil votos pela Bahia, Marighela foi deputado federal de 1946 a 1947, liderou a bancada de 14 parlamentares comunistas, até que teve o seu mandato cassado. Segundo Edson, ele proferiu 196 discursos em dois anos, todos de denúncias da opressão e contra o imperialismo. Ele, que também editou a revista Problemas, só entrou para a luta armada quando não enxergou alternativa e em meio à qual foi assassinado em 1969. "O ato de hoje cumpre um importante papel de trazer Mariguella de volta ao espaço do Legislativo", concluiu Antonio Neto, coordenador nacional do MST.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-1975290326362935751?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/1975290326362935751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-vive.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/1975290326362935751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/1975290326362935751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-vive.html' title='Marighella vive!'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSFVq0iNdI/AAAAAAAAAYk/YNID3i1W1-E/s72-c/Marighella+alerj.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-8304350083950462493</id><published>2009-11-06T12:13:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:16:54.554-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pronunciamento de Aton Fon'/><title type='text'>Titulo de Cidadão Paulista para Marighella</title><content type='html'>&lt;a href="http://i1.ytimg.com/vi/D61i5xyPQcc/default.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 90px" alt="" src="http://i1.ytimg.com/vi/D61i5xyPQcc/default.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Pronunciamento de Aton Fon, representando os companheiros do Comandante Carlos Marighella durante ato de entrega do Título de Cidadão&lt;br /&gt;Paulistano, in memoriam, a seus familiares, no dia 4 de novembro de&lt;br /&gt;2009.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Exmo. Sr. Vereador Ítalo Cardoso, DD. Presidente desta Sessão e&lt;br /&gt;proponente desta homenagem a Carlos Marighella;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheira Clara Charf, companheira de vida do Comandante Carlos&lt;br /&gt;Marighella, na pessoa de quem saúdo todos os companheiros e&lt;br /&gt;companheiras presentes a este ato,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quarenta anos, num dia 4 de novembro, foi assassinado Carlos&lt;br /&gt;Marighella. Parece-nos significativo que tanto tempo passado tantas&lt;br /&gt;pessoas continuem se reunindo para saudar sua luta e seu exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nos parece significativo que mais uma vez essa reunião se faça em&lt;br /&gt;torno do lema "MARIGHELLA VIVE!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o que leva tantas pessoas a seguirem reverenciando a memória&lt;br /&gt;desse militante, desse dirigente revolucionário, reafirmando sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frequentemente ouvimos, dos dias em que a vida de Marighella foi&lt;br /&gt;roubada pela ditadura militar, que era um tempo heróico. Mas, se o era&lt;br /&gt;porque nele o herói teve vida, foi também o tempo heróico que exigiu&lt;br /&gt;sua heróica ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas terras do Brasil, pelas ruas de São Paulo, Carlos Marighella&lt;br /&gt;andou enfrentando ditaduras, enfrentando os inimigos do povo, os&lt;br /&gt;inimigos do proletariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando o país viveu tempos de legalidade e constitucionalidade,&lt;br /&gt;Marighella não deixou de enxergar a necessidade de seu heroísmo e&lt;br /&gt;perseverou na dedicação à luta pelo socialismo, demonstrando com sua&lt;br /&gt;vida e atitudes que sempre havia tempo, que sempre havia necessidade&lt;br /&gt;de um Carlos Marighella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Carlos que alertasse a esquerda para os riscos de confundir a&lt;br /&gt;tática com a estratégia, e de cair nas armadilhas quer do reformismo,&lt;br /&gt;quer do esquerdismo, dizendo em "A crise brasileira":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma tática decorrente da estratégia revolucionária é por si mesma&lt;br /&gt;revolucionária, o que nada tem a ver com sectarismo e esquerdismo.&lt;br /&gt;Trata-se de levar as massas à luta contra a ditadura, e substituí-la,&lt;br /&gt;por um governo efetivamente democrático. Os meios empregados são os&lt;br /&gt;que as massas aceitam. Mas os comunistas devem dar exemplo do impulso&lt;br /&gt;revolucionário, que não se obtém - evidentemente - baseando nossa luta&lt;br /&gt;numa perspectiva pacífica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Marighella que em momento algum baixasse a guarda ante o&lt;br /&gt;imperialismo, reafirmando, na mesma obra, que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com o mesmo sentido de falta de substância ideológica surgiu a falsa&lt;br /&gt;tese da "nova tática do imperialismo". Segundo essa tese, o&lt;br /&gt;imperialismo norte americano não estaria interessado em golpes e&lt;br /&gt;ditadura. O golpe de primeiro de abril, inspirado e promovido pelos&lt;br /&gt;Estados Unidos com o apoio em seus agentes internos e no fascismo&lt;br /&gt;militar brasileiro, invalidou essa teoria, cujo principal resultado&lt;br /&gt;foi deixar-nos desprevenidos e perplexos ante o golpe da direita." (A&lt;br /&gt;Crise Brasileira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-nos ainda hoje e lembra-nos costumeiramente Clara Charf, sua&lt;br /&gt;companheira de vida, que o Comandante sempre foi capaz de separar as&lt;br /&gt;divergências políticas das lutas pessoais, o que lhe garantiu sempre&lt;br /&gt;não apenas a discussão que enriquecia seu conhecimento e sua&lt;br /&gt;militância, mas aquela ternura de que falava o Che que não se deve&lt;br /&gt;perder quando mais se endureça. Isso porque nunca esqueceu ele que,&lt;br /&gt;divergindo no campo dos lutadores do povo, identificamo-nos no&lt;br /&gt;objetivo da libertação popular. E por isso, mesmo no momento de sua&lt;br /&gt;ruptura com o PCB expressou veementemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Embora existam dificuldades para a união das forças populares, elas&lt;br /&gt;não podem ter o mesmo caráter das divergências que nos separam das&lt;br /&gt;correntes políticas ligadas ao imperialismo." (Crítica às Teses do&lt;br /&gt;Comitê Central)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mesma busca e expressão de unidade, tinha-a clara quando à&lt;br /&gt;aliança dos operários com os trabalhadores do campo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No esquema estratégico brasileiro o pedestal da ação do proletariado&lt;br /&gt;é o trabalhador rural. A aliança dos proletários com os camponeses é a&lt;br /&gt;pedra de toque da revolução brasileira. Não se pode fazer a luta pela&lt;br /&gt;democracia e pelas reivindicações nacionalistas, separando uma e outra&lt;br /&gt;da luta pela terra e pelos interesses das massas camponesas. É um erro&lt;br /&gt;relegar para o momento da decisão da decisão estratégica o processo de&lt;br /&gt;luta, visando a atrair a massa camponesa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso adquire especial relevância para nós hoje, quando as forças da&lt;br /&gt;reação, as forças do latifúndio afiam suas lanças e suas flechas para&lt;br /&gt;agredir o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, obrigando&lt;br /&gt;todos nós a nos mobilizar em defesa dos trabalhadores do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, Carlos foi Marighella quando buscou tenazmente a&lt;br /&gt;superação dos sectarismos que separaram durante tanto tempo os&lt;br /&gt;cristãos dos marxistas, ensinado que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não importa que os moços de hoje estejam filiados a correntes&lt;br /&gt;filosóficas diversas. Aceitem ou não o primado da matéria e do reflexo&lt;br /&gt;do ser sobre a consciência, militem no campo do materialismo ou nas&lt;br /&gt;hostes do espiritualismo, como é o caso da plêiade de católicos&lt;br /&gt;preocupados com a questão social, os jovens avançam em busca de uma&lt;br /&gt;saída. O marxismo contemporâneo não poderá deixar de fasciná-los e&lt;br /&gt;estimular-lhes o espírito criador. Com a audácia e o entusiasmo que&lt;br /&gt;lhes são próprios, os jovens continuarão afluindo para o campo de&lt;br /&gt;luta.” (Porque Resisti à Prisão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se Carlos soube ser sempre Marighella, se soube sempre ser o&lt;br /&gt;herói que o momento exigia isso se deveu a sua clara visão de que a&lt;br /&gt;existências das condições objetivas para a luta revolucionária não&lt;br /&gt;implicava necessariamente – é verdade – a existência da consciência&lt;br /&gt;revolucionária no seio do povo. Mas essa mesma consciência, só a ação&lt;br /&gt;dos próprios homens, dos próprios revolucionários, poderia trazê-la à&lt;br /&gt;luz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A consciência revolucionária, todavia, não se adquire&lt;br /&gt;espontaneamente. Na dialética marxista, quando se trata do fenômeno&lt;br /&gt;social, um processo de desenvolvimento jamais se efetua por via&lt;br /&gt;espontânea. A luta (não espontânea) é um fator imprescindível e&lt;br /&gt;fundamental para que o processo de desenvolvimento chegue às últimas&lt;br /&gt;conseqüências."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isto implica em atuar com firmeza onde quer que haja massas &amp;shy; nos&lt;br /&gt;sindicatos, nas organizações populares, feministas, estudantis,&lt;br /&gt;camponesas e quaisquer outras. O objetivo de tal atuação é desencadear&lt;br /&gt;e apoiar lutas e estimular a combatividade das massas." (A Crise&lt;br /&gt;Brasileira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella vive!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella vive porque seu sonho, sua aspiração, a aspiração de que&lt;br /&gt;cesse a exploração do Brasil pelo Imperialismo, do proletariado pela&lt;br /&gt;burguesia, do camponês pelo latifúndio e pelo agro-negócio, do homem&lt;br /&gt;pelo homem, continua viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Comandante Carlos Marighella que homenageamos não vive no&lt;br /&gt;retrato na parede, nem vive nas lembranças que guardamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella vive nesses ensinamentos e em suas atitudes que conformaram&lt;br /&gt;nossa herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, somente se soubermos corresponder às necessidades que a&lt;br /&gt;história põe diante de nós, Marighella poderá seguir vivendo em nossas&lt;br /&gt;atitudes as quais haverão de legar aos que virão na nossa esteira, na&lt;br /&gt;esteira desses herdeiros de Marighella, a herança do mundo solidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como Carlos Marighella soube, em seu tempo, resgatar o grito de&lt;br /&gt;combate dos campos de Guararapes e das batalhas da Independência nos&lt;br /&gt;campos do Recôncavo baiano – “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo&lt;br /&gt;Brasil” -, saibamos nós também resgatar esse compromisso e essa&lt;br /&gt;certeza de que haveremos de libertar nosso povo e nosso país:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pátria Livre! Venceremos!"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-8304350083950462493?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/8304350083950462493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/titulo-de-cidadao-paulista-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8304350083950462493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8304350083950462493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/titulo-de-cidadao-paulista-para.html' title='Titulo de Cidadão Paulista para Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-7247395750758432246</id><published>2009-11-06T12:02:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:13:00.713-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Emir sader'/><title type='text'>Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4D_DK2p0nO0/SqAuszeKjnI/AAAAAAAAB8s/DXeOssDhkr8/s400/saderemir.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; CURSOR: hand; HEIGHT: 161px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4D_DK2p0nO0/SqAuszeKjnI/AAAAAAAAB8s/DXeOssDhkr8/s400/saderemir.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Identificado com os projetos revolucionários de libertação da América Latina desde a década de 30, teve um protagonismo central nos momentos mais difíceis vividos pelo PCB depois do golpe de 1964, quando debateu as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="headline-link"&gt;Emir Sader&lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Carlos é o protótipo do brasileiro. Amado na sua Bahia, com quem o povo baiano se identifica, como se identifica com Caimmy, com a Menininha do Gantuá, com tudo o que é expressão genuína daquelas terras tão brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de uma negra escrava, Maria Rita, linda, com pai de origem italiana, Augusto, Carlos é uma das expressões mais genuínas da mestiçagem do povo brasileiro. As conversas com os vizinhos da casa modesta onde nasceu e cresceu, em Salvador, as fotos com os colegas de escola, com os amigos, revelam o mulato sestroso, conversador, gentil, sensível, típico dos bairros populares da velha São Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem chegou à adolescencia naqueles anos-chave da década de 30, Carlos se identificou profundamente com os projetos revolucionarios da década, antes de tudo com a lideranca de Prestes no PCB, depois da aventura extraordinaria da Coluna. Viveu Carlos aí a primeira grande experiência, que o marcaria pelo resto da vida, consolidando nele a opção revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não protagonizou com sua participação os grandes debates no seio do PC ao longo das décadas seguintes. Seu protagonismo ficou reservado para os momentos mais difíceis vividos pelo Partido, logo depois do golpe de 1964. Já sua resistência à prisao na Cinelândia, no Rio, poucos días depois do golpe, demonstrava a atitude de rebeldia e de resistência que Carlos imprimiria à sua atitude e à que convocava aos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez Carlos foi o principal protagonista dos debates internos do PCB, sobre as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. Ele se identificou de forma direta com a dinâmica proposta pela Revolução Cubana, que aparecia como uma alternativa real para os países em que as elites dominantes apelavam para a ditadura, diante das ameaças dos movimentos populares, optando pelo projeto norteamericano da Doutrina de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos conclamou a resistência a aderir ao projeto da luta armada, sob a forma da guerra de guerrilhas, rompendo assim com o PCB e fundando a ALN. Junto com a VPR, dirigida por Carlos Lamarca, protagonizaram a versão mais radical da resistência clandestina à ditadura militar, de que o espetacular sequestro do embaixador dos EUA – com a libertação de 15 militantes da resistência e a leitura de declaração contra a ditadura em cadeia nacional de rádio e televisão – foi uma de suas mais expressivas manifestações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Carlos, mulato, baiano, comunista, brasileiro.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="texto"&gt;Carta maior&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-7247395750758432246?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/7247395750758432246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-mulato-baiano-comunista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/7247395750758432246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/7247395750758432246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-mulato-baiano-comunista.html' title='Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4D_DK2p0nO0/SqAuszeKjnI/AAAAAAAAB8s/DXeOssDhkr8/s72-c/saderemir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-7636551147928843079</id><published>2009-11-04T15:39:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T15:52:21.539-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos do Ato na Cinelandia dia 04/11'/><title type='text'>Fotos do Ato na Cinelandia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvITWVOOMjI/AAAAAAAAAYU/aKLmSE2s4Ys/s1600-h/Imagem4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400400177545490994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvITWVOOMjI/AAAAAAAAAYU/aKLmSE2s4Ys/s320/Imagem4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvITAbDEhWI/AAAAAAAAAYM/wXDcp8K960Q/s1600-h/Imagem1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400399801152210274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvITAbDEhWI/AAAAAAAAAYM/wXDcp8K960Q/s320/Imagem1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvISd3XF1qI/AAAAAAAAAYE/xn_LL4E-OXM/s1600-h/Imagem3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400399207456954018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvISd3XF1qI/AAAAAAAAAYE/xn_LL4E-OXM/s320/Imagem3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvISB999gFI/AAAAAAAAAX8/3qBBRUpczL8/s1600-h/Imagem116.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400398728194261074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvISB999gFI/AAAAAAAAAX8/3qBBRUpczL8/s320/Imagem116.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div&gt;Fotos do Ato em homenagem ao Marighella, onde mudamos o nome da Praça Floriano, na Cinelandia RJ, para Praça Carlos Marighella. Apartir de agora os movimentos sociais podem chamar a praça de Carlos Marighella.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Marighella Vive!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Noticia no Estadão&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Militantes querem nome de Marighella em praça do Rio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;MARCELO AULER - Agencia Estado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - Antigos militantes da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que foi comandada por Carlos Marighella, lançaram hoje a campanha para dar seu nome à Praça Marechal Floriano, no centro do Rio, tradicionalmente conhecida como Cinelândia. Hoje faz 40 anos que o ex-guerrilheiro foi assassinado em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esta praça é simbólica, foi palco das principais campanhas políticas desde a do Petróleo é Nosso. Ela abrigou a passeata dos 100 mil. Por aqui começaram o terminaram grandes outras passeatas e manifestações, como a da Anistia e das Diretas Já", lembrou o também ex-comandante da ALN, Carlos Eugênio Sarmento da Paz, ao justificar o movimento para dar à praça o nome de Marighella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, simbolicamente, os participantes da manifestação - havia representantes do PT, PSB, PCdoB, PCB e PDT - colaram nas placas da praça o nome do ex-líder da organização de esquerda. Na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Leonel Brizola Neto, tramita um decreto legislativo lhe dando o título de cidadão carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima semana o movimento dará início à coleta de assinaturas em um abaixo assinado para pressionar os vereadores cariocas a aprovarem a legislação necessária para mudar o nome da praça que também abriga a Câmara.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-7636551147928843079?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/7636551147928843079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/fotos-do-ato-na-cinelandia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/7636551147928843079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/7636551147928843079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/fotos-do-ato-na-cinelandia.html' title='Fotos do Ato na Cinelandia'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvITWVOOMjI/AAAAAAAAAYU/aKLmSE2s4Ys/s72-c/Imagem4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6817842677851821758</id><published>2009-11-04T06:36:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T06:40:38.856-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista Denise Rollemberg'/><title type='text'>Marighella.40 anos depois.</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.facasper.com.br/cultura/arquivos/marighella2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" alt="" src="http://www.facasper.com.br/cultura/arquivos/marighella2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Entrevista especial com Denise Rollemberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil”. Assim, a pesquisadora e historiadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Denise Rollemberg, define Carlos Marighella, político guerrilheiro brasileiro e um dos principais defensores da criação de um estado socialista no Brasil. Em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-line, Denise apresenta o histórico de Marighella, apontando suas principais contribuições à história da luta armada no país. O cenário da ditadura militar e o isolamento da prática da luta armada, também foram temas abordados por Denise. “É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura”, revela.Denise Rollemberg possui graduação, mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense, pós-doutorado em História pela Universidade de Paris X e em Sociologia pela Universidade de Campinas/Unicamp. Atualmente, é professora da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora do Núcleo de Estudos Contemporâneos/NEC-UFF.Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Quem foi Carlos Marighella e por que se transformou em um mito?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – Carlos Marighella é uma figura antiga do Partido Comunista que tem todo um percurso que acompanha a própria história do PCB, e o que é interessante nele, assim como outros militantes do partido, é que ele radicalizou esse percurso. E mais ainda: ele fez uma ruptura. Ele foi um sujeito que entrou no partido muito cedo, com 17 anos, e, a partir de 1964, começou a questionar o papel desarticulado, pois a política do PCB é associada aos trabalhistas e teria então desmobilizado os movimentos sociais, no sentido de uma possibilidade de resistência ao golpe. A ruptura dele se dá mais adiante, mas ele ficou, a partir dali, pensando como outros segmentos das esquerdas na época, o que teria sido um papel nefasto do Partido Comunista, nesse momento.Outras figuras do partido também fizeram um percurso semelhante, como Jacob Gorender [1] e Mario Alves [2]. O que ele vai radicalizar é o caminho que tomou em 1967. A radicalização dele tem a ver exatamente com o fato de ter organizado a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de luta armada que foi uma das mais importantes do Brasil. Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Dentre os grupos de esquerda organizada e que optaram pela luta armada nos anos 1960 pode-se dizer que Marighella desfrutava de reconhecimento e liderança?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – Sim. Havia muita disputa entre as organizações, embora elas tenham fragmentado bastante. Foram dezenas de organizações que disputaram a liderança na luta armada. Sem dúvida, Marighella é a figura mais expressiva, junto com Carlos Lamarca [3], dessa opção revolucionária da ação armada. São duas trajetórias muito diferentes, mas que se encontram em algum momento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Como se deu o rompimento de Marighella com o PCB e a criação da Ação Libertadora Nacional (ALN)?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – Muitas vezes, aparece em jornais Aliança ao invés de Ação. Não é simplesmente uma troca de palavras, mas há todo um projeto da ALN que estava centrado nessa discussão. Até 1964, o PCB falava muito na questão da aliança junto com os trabalhistas dentro da política de associação com os trabalhadores. A ruptura do Marighella com o partido vem centrada nesse sentido, de que não era mais o caso de uma política de aliança, mas sim centrada numa política de ação. Em 1967, houve um congresso de comunistas em Cuba, e Marighella foi. Ainda que ele fizesse parte do PCB nessa época, ele não foi representando-o. A ida dele, portanto, foi uma ruptura com o partido. Cuba queria, naquele momento, organizar uma espécie de internacional latino-americana que teria essa função de organizar e coordenar as lutas armadas na América Latina, com uma política muito diferente da política do PCB. A partir desse momento, ele assume o papel de liderança revolucionária com o apoio de Cuba, que o reconheceu como um dirigente revolucionário capaz de representar e fazer a revolução no Brasil, não mais dentro das concepções e orientações do Partido Comunista, mas numa guinada voltada para outro sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Ideologicamente, como poderia ser definida a Ação Libertadora Nacional (ALN)? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – A ALN era uma organização foquista, ou seja, defensora do foco guerrilheiro cubano, fundada nos moldes de Cuba. Quando Marighella foi para Cuba e se tornou o grande líder, até sua morte, apoiado por Cuba para implementar a revolução no Brasil, ele adere à teoria do foco, mas com muitas ressalvas também. Apesar de ele ter ficado tanto tempo no partido, numa política muito rígida, com a ruptura, Marighella obtém uma autonomia muito grande em relação a isso, exatamente pelas críticas que ele faz à burocratização do PCB. Então, a ALN vai ser fundada dentro da necessidade de valorizar a ação, ao mesmo tempo, ela é uma crítica à formação de um partido. O partido era necessário para fazer a revolução, mas não mais aquele partido tal qual o Partido Comunista. Daí que a ALN não vai assumir um nome como Partido da Ação Revolucionária. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Outra característica importante é a autonomia que seus dirigentes, encarnados no Marighella, defendiam. Eles diziam que a organização não deveria ser verticalizada, hierarquizada, exatamente criticando a estrutura dos velhos partidos comunistas. Pelo contrário, a organização deveria ser formada a partir de uma ideia horizontalizada, na qual os militantes que tivessem empenhados na luta revolucionária não precisavam mais passar por uma autorização da hierarquia partidária. As ações armadas deveriam ser organizadas em grupos de ação e estes teriam uma autonomia para fazer as suas ações armadas. Marighella inverte completamente a organização, suas ideias invertem completamente essa ordem de um partido revolucionário verticalizado para uma organização horizontal, na qual os militantes teriam muita autonomia para desenvolver suas ações armadas. E a questão do foco foi lida pelo Marighella de uma forma muito particular. Um apoio, sim, de Cuba seria importante para receber e incorporar os apoios disponíveis, principalmente, por toda a simbologia e a importância de Cuba naquele momento, na América Latina e no comunismo internacional, mas que não ficasse totalmente dependente de Cuba, refém da ajuda recebida. A revolução cabia aos revolucionários brasileiros. Foi uma organização muito diferente no sentido de que ela não se adapta a nenhum padrão rígido, exatamente diante da experiência de Marighella de tanto tempo no Partido Comunista. Ele cria uma organização muito mais flexível, em termos de hierarquias, ideologias, adaptando muitos vetores, e o resultado disso seria a própria ALN.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Qual era o conceito de revolução de Marighella?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – É uma revolução de transformação e que passa, ao mesmo tempo, pela libertação nacional, com duas etapas muito rigorosamente separadas, tal qual o partido discutia, mas alguma coisa que a libertação nacional imediatamente levaria à revolução socialista através da ação armada. Ele mantém a ideia da libertação nacional nas duas etapas, mas ao mesmo tempo funde-as. Essa é a concepção de revolução dele, que mantém a perspectiva, mas ao mesmo tempo rompe com ela. Isto dentro da maneira como ele via Cuba, as possibilidades de fazer a revolução a partir do foco guerrilheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – A concepção da guerrilha do “foquismo” de Marighella se opõe a de Che Guevara e Regis Debray inspirada no maoísmo? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – Ele tem uma leitura do foco guerrilheiro que é exatamente isso, a perspectiva do Che Guevara e do Regis Debray. Mas ele adapta. Vai receber o apoio urbano e vai aparecer para Cuba como a grande liderança revolucionária, mesmo depois de sua morte, esse apoio de Cuba a ALN vai se manter. Ele não faz toda a revolução no Brasil ou da luta armada depender exclusivamente do foco. O foco seria um elemento importante, mas mais um entre tantos outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;IHU On-Line – Contextualizando historicamente a luta armada, quais foram os acertos e erros de Marighella?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Denise Rollemberg – Acho que o grande acerto, se formos pensar dentro desta linha do que acertou e do que errou, foi lutar pela revolução, pela transformação da sociedade, contra um conformismo, contra a ditadura. Não só resistir à ditadura, mas ir além desta luta. Poderíamos dizer até mesmo que, antes mesmo de 1964, ele estava lutando contra o capitalismo, pelo socialismo. Esse inconformismo com o status quo, seja ele dentro de um regime democrático como era no regime pré-1964, ele lutava pela transformação do Brasil. Acho que se pensarmos dentro desta perspectiva, que não é a óptica do historiador, de acerto e erro, a grande importância é isso. Quem faz erra e acerta, quem não luta erra sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho que o inconformismo é não colaborar com a ditadura, com as injustiças é um legado importante. A ALN, assim como todas as outras organizações, acabou enveredando por um militarismo muito rigoroso, o que na verdade tem a ver com a organização, mas tem a ver também com o isolamento em que essas organizações ficaram no Brasil. Este isolamento delas com relação à sociedade tem a ver exatamente com o fato de que a sociedade brasileira, desde o final dos anos 1970, participou e apoiou muito a ditadura. Segmentos importantes da sociedade, não só das classes média e média alta, mas setores populares receberam de uma forma muito alegre a instauração do regime e apoiou o regime durante um bom tempo. Esta ideia de que a sociedade brasileira resistiu contra a ditadura, que a ditadura é uma questão dos militares e não da sociedade, é uma construção, a partir do fim dos anos 1970, que é memória e não história. É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Notas:&lt;br /&gt;[1] Jacob Gorender é um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros. Jovem, lutou na II Guerra Mundial, na Itália, como integrante da Força Expedicionária Brasileira. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual saiu, nos anos 60, para participar da fundação do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Foi preso e torturado quando da ditadura militar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[2] Mário Alves de Souza Vieira foi um político brasileiro, um dos fundadores do PCBR. Destacou-se por ser um dirigente comunista estudioso do marxismo-leninismo.[3] Carlos Lamarca foi um militar que desertou do exército durante a ditadura militar e se tornou um guerrilheiro comunista. Como guerrilheiro, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária, foi, juntamente com Carlos Marighella, um dos principais opositores armados à ditadura militar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6817842677851821758?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6817842677851821758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella40-anos-depois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6817842677851821758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6817842677851821758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella40-anos-depois.html' title='Marighella.40 anos depois.'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-4135706201474598474</id><published>2009-11-03T12:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T12:18:07.366-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade RJ'/><title type='text'>Exposição Marighella</title><content type='html'>24 de novembro. Exposição Marighella no Rio de Janeiro, no espaço Cultural da Caixa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-4135706201474598474?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/4135706201474598474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/exposicao-marighella.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4135706201474598474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4135706201474598474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/exposicao-marighella.html' title='Exposição Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-529951496089560551</id><published>2009-11-03T12:10:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T12:14:29.600-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade SP'/><title type='text'>Ato na Escola Nacional Florestan Fernandes</title><content type='html'>&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px" alt="" src="http://resistir.info/brasil/imagens/escola_ff_peq.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;14 de novembro. Ato para jovens na Escola Nacional Florestan Fernandes do MST.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-529951496089560551?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/529951496089560551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/ato-na-escola-nacional-florestan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/529951496089560551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/529951496089560551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/ato-na-escola-nacional-florestan.html' title='Ato na Escola Nacional Florestan Fernandes'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-8689420669215732001</id><published>2009-11-03T12:04:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T12:28:28.379-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grafite'/><title type='text'>Grafite no Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCNAT75-OI/AAAAAAAAAXk/EqCvWSXj9HI/s1600-h/mariga+graf.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399970989708277986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCNAT75-OI/AAAAAAAAAXk/EqCvWSXj9HI/s400/mariga+graf.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;VEJAM O LINDO GRAFITE FEITO PELOS COMPANHEIROS DO HIP-HOP AQUI NO RJ EM HOMENAGEM AO MARIGHELLA.O MURAL FICA NA PRESIDENTE VARGAS&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-8689420669215732001?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/8689420669215732001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/grafite-no-rio-de-janeiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8689420669215732001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8689420669215732001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/grafite-no-rio-de-janeiro.html' title='Grafite no Rio de Janeiro'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCNAT75-OI/AAAAAAAAAXk/EqCvWSXj9HI/s72-c/mariga+graf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-4228665315350856596</id><published>2009-11-03T11:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T11:56:17.894-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia de 2009 Ademar Bogo'/><title type='text'>VENCESTE CARLOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.piratininga.org.br/images/bogo.JPG"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 169px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px" alt="" src="http://www.piratininga.org.br/images/bogo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bahia, 3 de novembro de 2009&lt;br /&gt;Ademar Bogo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a tarde caiu e não voltaste&lt;br /&gt;Sem consciência do tempo...&lt;br /&gt;Nem percebeste que a morte,&lt;br /&gt;Não significara uma vitória.&lt;br /&gt;Gélido, calado...&lt;br /&gt;Pensavam tornarem-no inofensivo.&lt;br /&gt;Eles são assim!&lt;br /&gt;Só prestam para a repressão&lt;br /&gt;Se continuarem vivos:&lt;br /&gt;Mortos, ficam só, viram pó.&lt;br /&gt;Ouvistes vós uma rememoração sequer;&lt;br /&gt;Uma sequer, dos 40 anos de Fleury?&lt;br /&gt;Nós, voltamos a Alameda&lt;br /&gt;E sentimos o pulsar dos corações&lt;br /&gt;Tangendo lágrimas sinceras&lt;br /&gt;São sentimentos reunidos de várias gerações.&lt;br /&gt;E lá distante, as crianças entram para a escola&lt;br /&gt;E a professora, lembra o dia 4 com poesia!&lt;br /&gt;Fala de Carlos como se fosse o pai,&lt;br /&gt;O avô, um sábio, um santo, um guia...&lt;br /&gt;Em outras partes: exaltados debates,&lt;br /&gt;Trazem de volta o ser conquistador&lt;br /&gt;O comandante da Ação usa a palavra&lt;br /&gt;Na voz de um jovem admirador;&lt;br /&gt;Gritos de viva irrompem das janelas&lt;br /&gt;Venceste, Carlos, a causa do amor.&lt;br /&gt;Em mil lugares teu nome aparece&lt;br /&gt;Em preces, aulas, placas e poesias,&lt;br /&gt;Na ponta longa da amável tristeza&lt;br /&gt;Amarram-se os laços da alegria.&lt;br /&gt;Num tempo estranho&lt;br /&gt;Contamos a tua glória&lt;br /&gt;Neste presente de pobre ideologia&lt;br /&gt;Se em nossas veias teu ânimo corre&lt;br /&gt;Em nossas mentes, vives na utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-4228665315350856596?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/4228665315350856596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/venceste-carlos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4228665315350856596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4228665315350856596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/venceste-carlos.html' title='VENCESTE CARLOS'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-5672989059369152925</id><published>2009-11-03T11:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T11:53:37.653-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade RJ'/><title type='text'>PRAÇA MARIGHELLA (ex-Praça Floriano), Cinelândia,</title><content type='html'>&lt;a href="http://images01.olx.com.br/ui/1/99/63/6769663_1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 276px; CURSOR: hand; HEIGHT: 184px" alt="" src="http://images01.olx.com.br/ui/1/99/63/6769663_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;VIVA MARIGHELLA !&lt;br /&gt;Há exatos 40 anos foi covardemente executado pelo estado terrorista que se&lt;br /&gt;impôs à força no Brasil, em uma emboscada em São Paulo, um herói do povo&lt;br /&gt;brasileiro: Carlos Marighella.&lt;br /&gt;Aqui celebramos sua vida de luta, nesta praça que também é do povo.&lt;br /&gt;Lembramos dele, batalhador incansável dos ideais de justiça social, da liberdade,&lt;br /&gt;solidariedade e fraternidade. Marighella lutava para que não houvesse mais fome e injustiça entre os brasileiros.&lt;br /&gt;Seus poemas e textos, que estão sendo lidos neste lugar, afirmam sua luta de&lt;br /&gt;ontem e de hoje, ao lado de Joaquim Câmara Ferreira, Davi Capistrano, Mário&lt;br /&gt;Alves, Lincoln Oest, Carlos Lamarca, Margarida Alves, Iuri Xavier Pereira,&lt;br /&gt;Eduardo Leite, Ana Maria Nacinovic e centenas de outros combatentes que foram&lt;br /&gt;seqüestrados, torturados e ‘desaparecidos’ pela ditadura de 1964-85. Pelas&lt;br /&gt;mesmas forças que atualmente são contra os direitos populares, que tratam os&lt;br /&gt;movimentos sociais como criminosos e que perseguem quem luta por direitos&lt;br /&gt;humanos. Aqueles que não abrem todos os arquivos da ditadura e que continuam&lt;br /&gt;a tolerar - e mesmo a estimular - a prática das torturas, para conservar&lt;br /&gt;privilégios de minorias.&lt;br /&gt;Para que nunca mais a violência dos opressores seja nutrida pela impunidade!&lt;br /&gt;CARLOS MARIGHELLA, HERÓI DO POVO BRASILEIRO,&lt;br /&gt;está vivo na nossa memória e nas nossas lutas.&lt;br /&gt;PRAÇA MARIGHELLA (ex-Praça Floriano), Cinelândia,&lt;br /&gt;Centro da Cidade do Rio de Janeiro, em 4 de novembro de 2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-5672989059369152925?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/5672989059369152925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/praca-marighella-ex-praca-floriano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/5672989059369152925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/5672989059369152925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/praca-marighella-ex-praca-floriano.html' title='PRAÇA MARIGHELLA (ex-Praça Floriano), Cinelândia,'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-8152871588885497481</id><published>2009-11-03T11:41:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T11:46:04.756-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade SP'/><title type='text'>“Sábado resistente"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCIUm33w2I/AAAAAAAAAW0/EaCYl1CbQSM/s1600-h/mariga+expo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399965840830874466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 227px; CURSOR: hand; HEIGHT: 174px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCIUm33w2I/AAAAAAAAAW0/EaCYl1CbQSM/s200/mariga+expo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; No dia 7 de novembro, às 11h, será aberta a exposição “Marighella”, no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66). Às 11h30min, ocorrerá apresentação de poemas de Marighella, musicados pelo percussionista Dinho Nascimento, acompanhado por Gabriel Nascimento e Cecília Pellegrini. Às 12h30min, será a vez do espetáculo “O Amargo Santo da Purificação”, do grupo Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz. A exposição vai de 8/11 a 25/04 de 2010, com entrada gratuita de terça a domingo, entre às 10 e 17h30min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-8152871588885497481?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/8152871588885497481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/sabado-resistente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8152871588885497481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8152871588885497481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/sabado-resistente.html' title='“Sábado resistente&quot;'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCIUm33w2I/AAAAAAAAAW0/EaCYl1CbQSM/s72-c/mariga+expo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-4342012928392775973</id><published>2009-11-03T11:34:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T11:41:34.153-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade Bahia'/><title type='text'>Ato na Biblioteca dos Barris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCHMSoWlQI/AAAAAAAAAWs/F9GuSnOYrDs/s1600-h/resize.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399964598446494978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCHMSoWlQI/AAAAAAAAAWs/F9GuSnOYrDs/s200/resize.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 4 de novembro em Salvador haverá ato político na Biblioteca dos Barris, às 17 h, com presença do ministro Paulo Vanucchi, Secretário especial dos Direitos Humanos, Nelson Pelegrino, Secretário da Justiça da Bahia e o deputado federal Emiliano José (PT-Ba), representando a família de Marighella.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-4342012928392775973?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/4342012928392775973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/dia-4-de-novembro-em-salvador-havera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4342012928392775973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/4342012928392775973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/dia-4-de-novembro-em-salvador-havera.html' title='Ato na Biblioteca dos Barris'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvCHMSoWlQI/AAAAAAAAAWs/F9GuSnOYrDs/s72-c/resize.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6088435328987535080</id><published>2009-11-01T14:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T14:46:23.547-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade Bahia'/><title type='text'>BAHIA: 40 anos sem Carlos Marighella</title><content type='html'>Local: Auditório da Escola de Administração da UFBA, Vale do Canela (1º andar, à esquerda). Data: 4 de novembro de 2009.&lt;br /&gt;Programação:&lt;br /&gt;16:00h – Documentário: Retrato Falado do Guerrilheiro&lt;br /&gt;17:00h – Debate&lt;br /&gt;18:00h – Intervalo&lt;br /&gt;19:00h – Palestra: Vida e Legado de Carlos Marighella, com Ademar Bogo (MST / Consulta Popular) e Prof. Muniz Ferreira (FFCH – UFBA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6088435328987535080?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6088435328987535080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/bahia-40-anos-sem-carlos-marighella.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6088435328987535080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6088435328987535080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/bahia-40-anos-sem-carlos-marighella.html' title='BAHIA: 40 anos sem Carlos Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-1265696446890081076</id><published>2009-11-01T14:37:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T06:45:00.926-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade RJ 11/11'/><title type='text'>Debate sobre Marighella</title><content type='html'>11/11 - Debate sobre a vida e a contribuição politica de Marighella.&lt;br /&gt;Debatedores: Ricardo Gebrin, Carlos Eugenio Paz, Aton Fon Filho&lt;br /&gt;Local: auditório Pedro Calmon, UFRJ, campus praia vermelha&lt;br /&gt;Hora: 18:30&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-1265696446890081076?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/1265696446890081076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/debate-sobre-marighella.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/1265696446890081076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/1265696446890081076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/debate-sobre-marighella.html' title='Debate sobre Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-5902101929183659666</id><published>2009-11-01T14:16:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T15:54:59.632-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividades ALERJ'/><title type='text'>Atividades na ALERJ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__-iLWk_HZbM/SvHFbAMfHvI/AAAAAAAAAU4/W9QGynMBbE4/s400/mariguella+final.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 329px; CURSOR: hand; HEIGHT: 439px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__-iLWk_HZbM/SvHFbAMfHvI/AAAAAAAAAU4/W9QGynMBbE4/s400/mariguella+final.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;05/11 - 18 horas no auditório da Alerj&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debate com Marcelo Freixo, Carlos Eugênio Paz e Edson Teixeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançamentos do Livro &lt;a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp000253.pdf"&gt;"Carlos a Face oculta de Marighella"&lt;/a&gt; de Edson Teixeira da Silva Junior e do &lt;a href="http://www.petitiononline.com/19692009/petition.html"&gt;Manifesto Em memória de Carlos Marighella&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-5902101929183659666?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/5902101929183659666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/atividades-na-alerj.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/5902101929183659666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/5902101929183659666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/atividades-na-alerj.html' title='Atividades na ALERJ'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__-iLWk_HZbM/SvHFbAMfHvI/AAAAAAAAAU4/W9QGynMBbE4/s72-c/mariguella+final.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6460176660770675444</id><published>2009-11-01T14:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T14:06:31.258-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nota do PCB'/><title type='text'>Homenagem a Carlos Marighella</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_BqHbQ09Y0QM/R0KZfSxl08I/AAAAAAAAAcI/jMX2DFtQv30/s400/bandeira_pcb"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_BqHbQ09Y0QM/R0KZfSxl08I/AAAAAAAAAcI/jMX2DFtQv30/s400/bandeira_pcb" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;por PCB &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No próximo dia 4 de novembro, cumprem-se quarenta anos do covarde assassinato de Carlos Marighella pelas forças da repressão da ditadura militar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O PCB se associa a todas as iniciativas para homenagear este herói e conclama sua militância e amigos a delas participarem. Marighella formou-se politicamente na grande escola do PCB, onde militou a maior parte de sua vida como revolucionário. Após o golpe imperialista de 1964, que assumiu a forma de golpe militar, o camarada rompeu com o PCB, liderando a criação da ALN (Ação Libertadora Nacional), em razão de divergências com a linha política do Partido, em que predominavam as ilusões de aliança com setores da chamada burguesia nacional e na democracia burguesa, equívocos que estão na raiz da derrota popular em 1964. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O PCB, que sepultou as ilusões reformistas em seu processo de reconstrução revolucionária, respeita e compreende as razões de Marighella para romper com o Partido, mesmo divergindo do método e considerando que a forma de luta adotada pela ALN, apesar de legítima, não era adequada àquela correlação de forças e ao nível de organização e mobilização da resistência popular à ditadura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entretanto, apesar de considerarmos correta, até 1979, a linha política do PCB na questão do enfrentamento à ditadura pela via do movimento de massas e da frente democrática, não estamos entre aqueles que negam ou subestimam o papel da insurgência armada adotada por algumas organizações no período que, ao preço de muitas vidas que nos fazem falta, também contribuíram para a derrubada da ditadura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Também é preciso ficar claro que a ditadura não escolhia suas vítimas apenas em função dos meios com que lutavam. Entre 1973 e 1975, foram assassinados dezenas de camaradas do PCB, cujos corpos jamais apareceram, dentre eles quase todos os membros do Comitê Central que aqui atuavam na clandestinidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Marighella não pertence apenas ao PCB nem à ALN. Pertence a todos os revolucionários e se inscreve na galeria de heróis que, em todo o mundo, lutaram e lutam contra a opressão e a exploração, por uma sociedade em que todos nos possamos chamar de companheiros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Camarada Marighella, presente! &lt;a name="asterisco"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;PCB – Partido Comunista Brasileiro Comissão Política Nacional Comitê Central Rio, 25 de outubro de 2009 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6460176660770675444?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6460176660770675444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/homenagem-carlos-marighella.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6460176660770675444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6460176660770675444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/homenagem-carlos-marighella.html' title='Homenagem a Carlos Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_BqHbQ09Y0QM/R0KZfSxl08I/AAAAAAAAAcI/jMX2DFtQv30/s72-c/bandeira_pcb' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6923166478667453337</id><published>2009-11-01T13:51:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T14:00:44.102-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A atualidade de Carlos Marighella'/><title type='text'>Atualidade de Carlos Marighella</title><content type='html'>Paulo Cannabrava*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su4EbE2JWFI/AAAAAAAAAV4/-0wlfb5HwWE/s1600-h/morena+luta+popular1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su4EbE2JWFI/AAAAAAAAAV4/-0wlfb5HwWE/s1600-h/morena+luta+popular1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399257866467629138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su4EbE2JWFI/AAAAAAAAAV4/-0wlfb5HwWE/s320/morena+luta+popular1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três pontos fundamentais do pensamento de Carlos Marighella são de extrema atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;1) Carlos Marighella qualificava a ditadura brasileira de fascista&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;2) Entendia que o caráter da revolução brasileira é de libertação nacional dando início à construção do socialismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;3) Propugnava pela formação de uma grande frente de massas, com hegemonia da aliança operário-camponesa para realizar a revolução brasileira&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Vejamos cada um desses pontos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O fascismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Marighella conhecia o que foi o fascismo europeu. Em síntese, pode-se dizer que era a ditadura do capital monopolista exercida pelo estado militarizado, utilizando-se de técnicas avançadas de comunicação e manipulação das massas organizadas no partido do governo.&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, no essencial, a ditadura militar representou a apropriação do Estado pelo capital monopolista. Essa característica por si só já justifica sua qualificação como fascista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não obstante, o fascismo caboclo tem suas especificidades que lhe dão uma aparência externa diferente o suficiente para enganar os incautos. Não utiliza um grande partido de massa, mas implanta um regime de partidos tutelados. No lugar das grandes mobilizações reprime violentamente as organizações populares, castra suas lideranças, manieta a imprensa e censura o pensamento intelectual. As técnicas de propaganda, muito mais sofisticadas, são usadas para alienar, amedrontar, convencer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O fascismo caboclo teve, no ciclo de governos militares, um caráter nacional. Nisso se assemelhava um pouco mais ao fascismo europeu que embora submisso à hegemonia da potencia imperialista européia de então, a Alemanha hitlerista, procurava privilegiar o desenvolvimento nacional, inclusive o seu próprio capital monopolista. O Brasil não foi à guerra de conquista territorial mas todos os vizinhos latino-americanos ficaram com o pé atrás o acusando de intenção expansionista. Até a bomba atômica estava no livro de receita dos estrategistas discípulos de Golbery&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa preocupação com o desenvolvimento nacional é a única grande característica de fundo que vai mudar no fascismo caboclo com o advento da Quinta República. A submissão ao capital monopolista imperialista agora é total. O eixo do capital já não é bancário/industrial e sim financeiro/especulativo. A era Collor/FHC é a do desmanche do parque industrial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com relação à política, continua sendo praticada por partidos tutelados, sem propostas ou mesmo personalidade própria. Técnicas cada dia mais sofisticadas de comunicação e de manipulação das massas continuam sendo empregadas para manter as massas alienadas. Analfabetismo, desemprego, exclusão, violência e medo formam um cenário sumamente difícil para o trabalho e desenvolvimento de partidos populares. Nunca, desde D. João VI, tivemos uma imprensa tão submissa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Carlos Marighella se estivesse entre nós certamente teria muitos motivos para continuar a qualificar o regime da era Collor/FHC de fascismo caboclo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Libertação Nacional&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Carlos Marighella dizia que o caráter da revolução brasileira é de libertação nacional.&lt;br /&gt;A luta de libertação nacional constitui uma etapa na luta dos povos em que o principal objetivo é conseguir a independência e o desenvolvimento. A conquista desse objetivo deve abrir as portas para construir uma sociedade plena de justiça social, humana e solidária, uma sociedade socialista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O ponto de partida para se alcançar esse objetivo é a perfeita caracterização do inimigo.&lt;br /&gt;Se estivéssemos no tempo de Carlos Marighella, ele diria que o fundamental é derrocar o domínio imperialista, pois a apropriação do estado brasileiro pelo capital monopolista se deu sob a égide do imperialismo. Na década de 60, era o imperialismo das corporações transnacionais hegemonizadas pelo capital estadunidense. Na década de 50 diríamos, simplesmente: o imperialismo ianque.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Hoje é tal a alienação que até no meio intelectual de esquerda se ouve dizer que falar em imperialismo é estar fora de moda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A moda agora é aceitar que a globalização vai nos redimir de todos os pecados, que se não nos globalizamos nos condenamos à idade da pedra. E não é ironia afirmar-se que é precisamente a tal da globalização que está levando nosso povo à idade da pedra. Nunca a apartheid social foi tão grande. E o que é na essência a globalização senão a nova cara do imperialismo? É o imperialismo na modernidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como resultado da era Collor/FHC, a relação dívida/PIB chegou, em março de 99, a 52,2% de um PIB de US 729 bilhões. Em 1998, só para pagamento de juros da dívida externa houve um desembolso de US$ 72 bilhões. Assistimos o absurdo de estar pagando, anualmente, mais de 10% do PIB de juros para os banqueiros nacionais e internacionais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com as chamadas privatizações da era Collor/FHC, jogou-se fora, vendeu-se a preço de banana pago com moeda podre, patrimônio nacional que levamos muitas décadas de suor e sangue do trabalhador brasileiro para construir. Com a alienação desse patrimônio – a Vale do Rio Doce, o Sistema Telebrás e outras – arrecadaram no período cerca de US$ 85 bilhões. Paga um ano de juros da dívida! E os tecnocratas a serviço do FMI incrustados nos nossos ministérios em Brasília, dizem que ainda faltam US$ 40 bilhões do patrimônio público para vender entre o final de 99 e 2000. Não paga um ano de juros da dívida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Especialistas em planejamento admitem que com o equivalente a14% do PIB de investimentos na área produtiva se pode manter um ritmo de desenvolvimento superior a 6% do PIB. O Estado quebrado não tem dinheiro sequer para financiar a própria estrutura administrativa. Não há dinheiro para investimento em saúde, educação, geração de energia, etc., etc.. Estamos na segunda década perdida. Vinte anos de estagnação; ou retrocesso??&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É preciso gerar três milhões de novos empregos todos os anos só para atender o crescimento vegetativo da população brasileira. Nas duas décadas perdidas não houve geração de novos empregos. Ao contrário, foram extintos mais de três milhões de empregos industriais.&lt;br /&gt;Estivesse entre nós Carlos Marighella ele diria que o principal inimigo continua sendo o imperialismo, agora travestido de globalização; o capital especulativo que está transformando o mundo num grande cassino; os burocratas incrustados na administração pública trabalhando em favor dos interesses imperiais; os oligarcas e burgueses responsáveis e co-responsáveis pelo desmanche do Estado e da Nação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca, desde Pedro Álvares Cabral fizeram tanto dano ao País. A metrópole colonial saqueava, praticava o genocídio dos índios e negros, mas construía. Os anos de estagnação mais o desmanche do patrimônio das últimas décadas constitui um retrocesso de tal ordem que serão necessários mais 20 ou 30 anos para voltarmos, proporcionalmente, ao mesmo nível e ritmo de produção dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Frente de massas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Identificado o inimigo, diria Marighella, a tarefa principal dos patriotas e democratas é forjar a unidade das forças que o combaterão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Propugnava então pela formação de uma ampla frente política, que sob a hegemonia da aliança operário-camponesa, conduzisse as massas à revolução. Na conjuntura dos anos 60, em que Cuba empolgava com seu exemplo, acrescentou o ingrediente da guerrilha, porém, concebida como parte de um plano estratégico e tático global. Dizia o documento do Agrupamento Comunista de São Paulo, que selou o rompimento com as teses conciliatórias do PCB e lançou a idéia da resistência armada:&lt;br /&gt;Enfim, o que queremos é construir a estrutura global necessária ao desencadeamento e enraizamento da guerrilha, com o seu núcleo armado operário e camponês, visando transforma-la num exército revolucionário de libertação...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas, qual era a proposta de Carlos Marighella para mudar a situação vigente? A resposta pode ser encontrada no manifesto da ALN lido pelas rádios e publicado pelos jornais em agosto de 1969. Não se pode deixar de apontar a analogia dessa proposta com a formulada pelos revolucionários da Aliança Nacional Libertadora que em 1935 se diziam contra o imperialismo, contra o fascismo e contra o latifúndio e propunham um governo popular para realizar a reforma agrária, suspender o pagamento da dívida e nacionalizar as empresas estrangeiras. Marighella, com a mesma simplicidade e objetividade afirmava, 30 anos depois:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pertencemos à Ação Libertadora Nacional e o que propomos é derrubar a ditadura, anular todos os seus atos desde 1964, formar um governo revolucionário do povo; expulsar os norte-americanos, confiscar suas firmas e propriedades e as firmas e propriedades dos que com eles colaboram; transformar a estrutura agrária do país, expropriando e extinguindo o latifúndio, dando terra ao camponês, valorizando o homem do campo; transformar as condições de vida dos trabalhadores, assegurando salários condignos, melhorando a situação das classes medias; assegurar a liberdade em qualquer terreno, do campo político ao campo cultural ou religioso; retirar o Brasil da condição de satélite da política externa dos Estados Unidos, coloca-lo no plano mundial como nação independente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Será que é preciso mudar alguma linha desse manifesto??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Paulo Cannabrava Filho é jornalista e foi companheiro de Marighella na ALN &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6923166478667453337?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6923166478667453337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/atualidade-de-carlos-marighella.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6923166478667453337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6923166478667453337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/atualidade-de-carlos-marighella.html' title='Atualidade de Carlos Marighella'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su4EbE2JWFI/AAAAAAAAAV4/-0wlfb5HwWE/s72-c/morena+luta+popular1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-8291359844127189312</id><published>2009-11-01T13:46:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T13:50:12.028-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Florestan Fernandes 1984'/><title type='text'>Carlos Marighella: a chama que não se apaga</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.cecac.org.br/Imagens%20Utiliz%E1veis/Marighella_tumulo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px" alt="" src="http://www.cecac.org.br/Imagens%20Utiliz%E1veis/Marighella_tumulo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Florestan Fernandes&lt;br /&gt;O 4 de novembro de 1969 incorporou-se à história graças a um feito policial-militar que culminou na morte de Carlos Marighella. Faz portanto, quinze anos que morreu o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), figura política que se tornara conhecida como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), seu dirigente de cúpula e também seu deputado no Congresso que elaborou a Constituição de 1946.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi perseguido como a caça mais cobiçada e condenado à morte cívica, à eliminação da memória coletiva. Só em dezembro de 1979, quando seus restos mortais foram trasladados para Salvador, sua cidade natal, Jorge Amado proclamou o fim da interdição expiatória: “Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo seu nome de baiano: Carlos Marighella”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, removemos outra parte da interdição, em uma cerimônia pública de recuperação cívica e de homenagem que “lavou a alma” de socialistas e comunistas em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Homem não desaparece com a sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estátua à distância. É o que sucede com Marighella. Ele morreu consagrado pela coragem indômita e pelo ardor revolucionário. Os carrascos trabalharam contra si próprios; ao martirizá-lo, forjaram o pedestal de uma glória eterna. Agora, esse homem volta à atualidade histórica. Ele não redimiu os oprimidos nem legou um partido novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas atravessou as contradições que vergaram um partido que deveria ter enfrentado a ditadura revolucionariamente, acontecesse o que acontecesse. Desmascarou assim a realidade dos partidos proletários na América Latina. Em uma situação histórica de duas faces (como gosto de descrever), contra-revolução e revolução ficam tão presas uma à outra que são os dois lados de uma mesma moeda. À superfície, parece que a luta de classes opera em mão única – no sentido e a favor dos donos do capital e do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, no subterrâneo (na “infra-estrutura da sociedade” ou no “meio social interno”) existem várias fogueiras, e o aparecimento de alternativas históricas pode depender de “um punhado de homens corajosos” ou de partidos organizados e preparados para a revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vários países da América Latina, entre eles o Brasil, a burguesia – apesar da dependência econômica, cultural e política – está encravada nas estruturas de poder nacional e as controla com mão de ferro. As ditaduras, “tradicionais” ou “modernas”, marcam as oscilações súbitas, às vezes de curta duração, da guerra civil latente para a guerra civil aberta. Nenhum partido dos oprimidos pode pretender-se revolucionário, na orientação socialista ou comunista, se não estiver preparado para enfrentar tenaz e ferozmente essas oscilações. A “legalidade”, na acepção de uma sociedade civil civilizada, é uma ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande valor de Carlos Marighella – como o de outros que enfrentaram corajosa e tenazmente aquelas contradições, com a “crise interna do partido” – está no fato de ter compreendido objetivamente e exposto sem vacilações o que a experiência lhe ensinava. No diagnóstico, algumas vezes, ficou preso a uma terminologia equivocada e a concepções que ele pretendia apurar e superar através de uma prática revolucionária conseqüente com o marxismo-leninismo e com as exigências da situação histórica. Por fim, acabou vitimado pela vulnerabilidade central: a inexistência do partido que poderia abrir novos rumos na transformação revolucionária da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um partido desse tipo não nasce de um dia para o outro. Requer uma longa e difícil construção. Marighella caiu nos ardis que apontara, tentando derrotar o inimigo onde era impossível fugir ao seu “cerco militar estratégico”. Não fora ao fundo da análise da revolução cubana, ignorando o quanto uma situação histórica revolucionária simplificara os caminhos daquela revolução. A “via militar” revolucionária, no entanto, se mostraria frágil sob o capitalismo dependente mais diferenciado e, por vezes, avançado na América do Sul, especialmente depois da vitória do Exército Rebelde em Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As deficiências e os equívocos de Carlos Marighella resultaram de fatores incontroláveis e insuperáveis. Ele foi até onde seu dever exigia, sem meios para tornar a missão necessária realizável. A revolução proletária não é um “objetivo” do partido revolucionário. Ela é, ao mesmo tempo, sua razão de ser, seu sustentáculo e seu produto, mas de tal modo que, quando o partido revolucionário surge, ele é um coordenador, concentrador e dinamizador das forças sociais explosivas existentes. Como assinalou Karl Marx, “a humanidade não se propõe nunca senão os problemas que ela pode resolver, pois, aprofundando a análise, ver-se-á sempre que o próprio problema só se apresenta quando as condições materiais para resolvê-lo existem ou estão em vias de existir”. O que qualifica e distingue as posições assumidas por Carlos Marighella é o propósito de romper com uma linha adaptativa, que retirava o Partido Comunista do pólo proletário da luta de classes, convertendo-o em “cauda” permanente e em esquerda da burguesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu marxismo-leninisimo ficou muito mais próximo da intenção que da elaboração teórica e prática conseqüente. O que não o impediu de encontrar, através da prioridade política e da acumulação de uma vasta experiência concreta negativa, uma versão objetiva das sinuosidades do comunismo adaptativo e tolerante que o marxismo acadêmico só descobriu tarde demais ou, então, nunca teve gana de desmascarar. No momento mesmo no qual nos vemos de novo impelidos para os erros do passado, parece indispensável voltar às suas críticas e às razões de suas rupturas (ainda que seja impensável reabsorver o conjunto de soluções teóricas e práticas que inspirou e difundiu). Em três pontos, pelo menos, é indispensável tomá-lo como referência de uma purificação marxista dos nossos partidos revolucionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro ponto tem a ver com os vínculos diretos da teoria com os fatos concretos e com a realidade, pela experiência crítica e pela ação crítica. Essa orientação é básica para a elaboração de um comunismo made in América Latina, construído por nós, embora com raízes marxistas e leninistas. Ele situa em plano secundário o intelectual “teórico”, eurocêntrico, e repele as “soluções importadas”, que impunham os modelos invariáveis de algum monolitismo soviético, chinês, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo ponto é o mais decisivo, pois põe em questão qual é o partido revolucionário que deve surgir das condições econômicas, sociais e políticas dos países da América Latina (e do Brasil, em particular). Uma sociedade civil que repele a civilização para todos e um Estado que concentra a violência no tope para aplicá-la de forma ultra-opressiva e ultra-egoísta envolvem uma barbárie exasperada específica. Tal partido deverá ser, sempre, uma espécie de iceberg, por mais confiável e durável que pareça sua “legalidade”. Isso lhe permitirá interagir dialeticamente nos dois níveis da trasformação revolucionária da sociedade – o burguês, por dentro da ordem, e o proletário e camponês, contra a ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro ponto refere-se à aliança com a burguesia, que nunca deveria ter alcançado a densidade e a permanência que atingiu. Um partido comunista dócil à burguesia nunca será proletário nem revolucionário e terá, como sina inexorável, que perverter a aliança política. “O segredo da vitória é o povo”. O eixo de gravitação das alianças está, portanto, na solidariedade entre os oprimidos; em suas lutas antiimperialistas, nacionalistas e democráticas, tanto quanto nas suas tentativas de domar a supremacia burguesa, conquistar o poder ou implantar o socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, Carlos Marighella era um sonhador com os pés no chão e a cabeça no lugar. Ele ainda desafia os seus perseguidores e merece dos companheiros de rota (e do antigo partido) que levem seriamente em conta sua tentativa de equacionamento teórico e prático do enigma do movimento comunista no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo, 12/11/1984&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-8291359844127189312?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/8291359844127189312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-chama-que-nao-se.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8291359844127189312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/8291359844127189312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-chama-que-nao-se.html' title='Carlos Marighella: a chama que não se apaga'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6366180989569204501</id><published>2009-11-01T13:41:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T13:45:27.037-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resumo biográfico'/><title type='text'>Resumo biográfico</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.outubrovermelho.com.br/wp-content/uploads/2009/04/carlos_marighella.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px" alt="" src="http://www.outubrovermelho.com.br/wp-content/uploads/2009/04/carlos_marighella.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;1911 - No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1929 - Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1932 - Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1936 - Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1937 - Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1939 - Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1942 - Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1943 - Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1945 - Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1946 - Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1948 - No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1949/1954 - Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha "O Petróleo é nosso" e organiza a greve geral conhecida como "dos cem mil" em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1955 - A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.1956/1959 - O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da "coexistência pacífica" pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1960/1964 - A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil - PC do B.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1964 - Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1965 - Escreve e publica o livro "Por que resisti à prisão", em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1966 - Publica "A Crise Brasileira", onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1967 - Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria - 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1968 - Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6366180989569204501?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6366180989569204501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/resumo-biografico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6366180989569204501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6366180989569204501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/resumo-biografico.html' title='Resumo biográfico'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6792111915748506109</id><published>2009-11-01T13:39:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T13:41:35.380-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Florestan Fernandes'/><title type='text'>Prática política radical</title><content type='html'>&lt;a href="http://revistaescola.abril.com.br/img/historia/022-florestan-01.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px" alt="" src="http://revistaescola.abril.com.br/img/historia/022-florestan-01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div&gt;Florestan Fernandes&lt;br /&gt;(...) No cenário de violência decorrente da repressão policial-militar, a morte trágica de Carlos Marighella ofuscou a trajetória de sua vida. Vítima da ditadura,caiu baleado em uma emboscada infame, arquitetada e realizada com apuro. Sua presença já havia incendiado a imaginação dos jovens e de ampla parte da geração adulta com inclinação radical. Todos queriam limpar o Brasil dessa nódoa e esperavam a oportunidade propícia a manifestações incisivas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Marighella dos primeiros anos fora tragado no tempo e o "último Marighella" acabou sendo mal conhecido no conjunto de sua produção teórica. Ele percorreu o caminho da disciplina, mas evoluiu na onda de rebelião contra os métodos de direção do PCB. Nas duas etapas, ligadas entre si, a aquisição de experiência política legal e clandestina e o florescimento autônomo da prática revolucionária fervem no horizonte intelectual de um combatente ardoroso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Contudo, é o "último Marighella" que interessa mais vivamente ao estudioso da transformação e crise da esquerda revolucionária. Ele rasga uma concepção do mundo original no Brasil. Vincula a herança clássica do marxismo à efervescência do pensamento contestador latino-americano. Não copia o "modelo cubano", dele extraindo apenas ensinamentos básicos. Em roteiro próprio, prefere aproveitar os dados de uma situação histórica que pedia uma representação de síntese.&lt;br /&gt;As circunstâncias eram propícias às tarefas a que devotou sua vocação crítica. A ditadura militar abriu brechas profundas em uma realidade sempre mistificada. A revisão histórica e política proporcionavam novas descobertas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao golpear a sociedade constituída, a ditadura colocou em realce as debilidades do desenvolvimento capitalista e do Estado que favorecia os grão-senhores, da terra ou do exterior. O desmascaramento atingiu níveis audaciosos e originais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na outra ponta, o retraimento da direção do PCB exigia um ataque análogo. Nunca, antes, seus críticos chegaram tão longe ou foram tão inventivos. Nem mesmo os trotskistas faziam-lhe sombra, porque sua cisão mais importante trazia a marca de um paradigma teórico e prático também importado. Carlos Marighella alargou a teoria, para que nela coubessem as crueldades sofridas pelos de baixo; e estendeu a prática, incluindo nela coerência e firmeza. Porta-se com equilíbrio, ficando rente aos questionamentos essenciais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Esse Marighella, que alcança a plenitude nos derradeiros anos, interessa a todos nós pela maneira de colocar a problemática do marxismo revolucionário no Brasil. Sua principal contribuição consiste em realçar a adequação política envolvida nas asperezas e nas possibilidades da sociedade brasileira. Sob muitos aspectos, aparece entre os grandes revolucionários da nossa época, que não assimilavam o marxismo passivamente, pois entenderam teoria e prática como resultantes de condições históricas específicas, combinadas a fins que se repetem em escala geral. Elaborou, desse modo, suas concepções de síntese, adequadas às atividades concretas, opondo-as às abstrações do padronizado ABC do comunismo. (...) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“A Contestação Necessária – Retratos Intelectuais de Inconformistas e Revolucionários”, coletânea de artigos e ensaios inéditos de Florestan Fernandes, publicada pela Editora Ática alguns meses após a sua morte do sociólogo-militante, ocorrida em 1995. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6792111915748506109?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6792111915748506109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/pratica-politica-radical.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6792111915748506109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6792111915748506109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/pratica-politica-radical.html' title='Prática política radical'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-2059559612432016289</id><published>2009-11-01T13:32:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T13:37:23.839-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia de 1969 Ana Montenegro'/><title type='text'>Poesia sobre Marighella (sem titulo)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PdNpfpowJ9M/R-UljRMdidI/AAAAAAAAABs/GLTDnYVQV1E/s400/11Mariguela"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PdNpfpowJ9M/R-UljRMdidI/AAAAAAAAABs/GLTDnYVQV1E/s400/11Mariguela" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em seu enterro não havia velas:&lt;br /&gt;Como acendê-las, sem a luz do dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu enterro não havia flores:&lt;br /&gt;Onde colhê-las, nessa manha fria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu enterro não havia povo:&lt;br /&gt;Como encontrá-lo, nessa rua vazia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu enterro não havia gestos:&lt;br /&gt;Parada inerte a minha mão jazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu enterro não havia vozes:&lt;br /&gt;Sob censura estavam as salmodias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas luz, e flor, e povo, e canto&lt;br /&gt;responderão “presente”, chegada a primavera mesmo que tardia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Montenegro&lt;br /&gt;Berlim, outono 1969.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-2059559612432016289?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/2059559612432016289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/poesia-sobre-marighella-sem-titulo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/2059559612432016289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/2059559612432016289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/poesia-sobre-marighella-sem-titulo.html' title='Poesia sobre Marighella (sem titulo)'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PdNpfpowJ9M/R-UljRMdidI/AAAAAAAAABs/GLTDnYVQV1E/s72-c/11Mariguela' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-3445906952780461427</id><published>2009-11-01T13:21:00.001-08:00</published><updated>2009-11-01T13:28:45.849-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade UFF'/><title type='text'>Seminário: Marighella 40 anos.</title><content type='html'>&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/images/2009/10/457091.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 196px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px" alt="" src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/10/457091.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A teoria da Revolução Brasileira e a experiência da luta armada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* 16h30min – Exibição de vídeo seguido de debate Documentário MARIGHELLA: Retrato Falado do Guerrilheiro (Sílvio Tendler, 2001).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* 18h30min – Mesa de debate Marighella 40 anos - A teoria da Revolução Brasileira e a experiência da luta armada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debatedores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlos Eugênio Paz (ex-dirigente da ALN)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Theotonio dos Santos (UFF)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antônio Soares, “Lucio” (Comandante Político e Militar do PCBR)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- João Quartim de Moraes (Unicamp)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Data: 04 de Novembro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local: Universidade Federal Fluminense - Sala 405, bloco “E”, na Escola de Serviço Social da UFF - Campus do Gragoatá, São Domingos, Niterói/RJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realização: CEAP – Centro de Estudos e Assessoria Popular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SINDSCOPE – Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretório Acadêmico de Ciências Sociais Raimundo Soares/UFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretório Acadêmico de Serviço Social/UFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rede Estudantil Classista e Combativa - RJ&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-3445906952780461427?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/3445906952780461427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/seminario-marighella-40-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/3445906952780461427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/3445906952780461427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/seminario-marighella-40-anos.html' title='Seminário: Marighella 40 anos.'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-51913290442180216</id><published>2009-11-01T13:07:00.001-08:00</published><updated>2009-11-01T13:10:05.753-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biografia por Dênis de Moraes'/><title type='text'>Carlos Marighella, 90 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.emilianojose.com.br/marighela/marighela_estadao_arquivos/marig00.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 199px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px" alt="" src="http://www.emilianojose.com.br/marighela/marighela_estadao_arquivos/marig00.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enviado por Dênis de Moraes&lt;br /&gt;Para Paulo Mercadante, que sabe amar os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciamos a contagem regressiva para as comemorações, em 5 de dezembro próximo, dos 90 anos de nascimento de Carlos Marighella, um dos expoentes da esquerda brasileira no século XX. Numa análise serena das circunstâncias históricas, podemos questionar algumas de suas crenças, concepções estratégicas e táticas políticas. Mas devemos dar a Marighella o que é de Marighella: poucos homens demonstraram tamanha bravura e destemor na árdua luta pelo progresso social e pela emancipação econômica deste país. Ele nunca tergiversou no que é essencial: foi solidário aos oprimidos e aos excluídos, empenhando-se, até o último instante de vida, por um Brasil mais justo e digno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos, quando elaborava a biografia de Graciliano Ramos, O velho Graça (José Olympio, 1992), conheci um Marighella que extrapolava as imagens míticas do comandante guerrilheiro da segunda metade da década de 1960. Tive o privilégio de ouvir os relatos do advogado, filósofo e ensaísta Paulo de Freitas Mercadante, 78 anos, sobre o seu convívio fraterno com Carlos e Graciliano, a partir de 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No calor das lembranças de Mercadante, quem reaparecia não era o comunista de aço, e sim um homem educado, risonho, emotivo, afável e irreverente. Que gostava de cerveja, de futebol, de samba, de Jackson do Pandeiro, de carnaval e dos bailes do Cordão da Bola Preta. Que fugia do "aparelho" em que vivia clandestino no Rio de Janeiro, durante a o governo do marechal Eurico Gaspar Dutra, para saborear seus pratos favoritos - feijoada e comida baiana - no restaurante Furna da Onça, em pleno centro da cidade. Para ludibriar a vigilância da polícia política, colocava uma peruca sobre a calvície acentuada e usava óculos escuros. Graças aos disfarces, compareceu, incógnito e triste, ao velório de Graciliano Ramos, seu amigo e escritor predileto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse Marighella que aprendemos a medir pela firmeza na práxis política era, segundo Paulo Mercadante, um dos raros dirigentes comunistas de sua geração com preocupações intelectuais. Não se limitava aos documentos partidários e tratados marxistas; apreciava literatura brasileira e clássicos do pensamento universal. "Carlos não se apegava a certezas férreas diante das fragilidades humanas. Com ele podíamos nos abrir. Na sua humanidade, distinguia-se daqueles dirigentes que vinham logo com uma citação de Marx para desqualificar os problemas pessoais como debilidades burguesas. Ao expressar-se, ele não recorria aos jargões partidários. Conversava normalmente, não seguia as fórmulas feitas e os maniqueísmos", acrescenta Mercadante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacob Gorender, que o conheceu em 1945, traça um perfil de Carlos bem semelhante ao apresentado por Paulo Mercadante: "Marighella era um líder revolucionário muito diferente de outros que eu acompanhei na direção. Era um homem fraternal, não tinha nenhum ar de superioridade, nunca se atribuiu méritos pessoais particulares. Quando falava de suas experiências na tortura, na prisão e em outras circunstâncias, só o fazia para ensinar, para alertar os companheiros que não tinham essa experiência. Um homem, um líder, que jamais usava de grosserias, que se interessava pelos problemas pessoais dos companheiros, problemas de alojamento, de dinheiro para comprar comida, para atender a necessidades familiares e assim por diante. Ao mesmo tempo, um homem que dava o exemplo e por isso tinha condições de exigir o cumprimento de tarefas, podia ser rigoroso nas cobranças das tarefas de que os outros companheiros estavam encarregados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Marighella nasceu em um sobrado na Baixa do Sapateiro, em Salvador, no dia 5 de dezembro de 1911, filho de Augusto Marighella, um imigrante italiano, mecânico e simpatizante do anarquismo, e de Maria Rita do Nascimento, negra baiana descendente de escravos sudaneses. As idéias libertárias do pai conformaram-lhe o espírito avesso à discriminação e ao preconceito. Indignava-se com a segregação dos negros. Craque nas peladas e em matemática, adorava escrever poemas e lia, à luz de velas, os jornais que o pai lhe passava. Na última série do curso científico do Colégio Central da Bahia, tirou nota 10 ao responder a uma prova de física com versos. O poema ficou exposto em um mural como exemplo de imaginação criadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1932, aos 21 anos, aderiu à Federação Vermelha dos Estudantes, vinculada ao Partido Comunista Brasileiro, abandonando no terceiro ano o curso de engenharia civil na Escola Politécnica da Bahia. "Um sentimento profundo de revolta ante a injustiça social não me permitia prosseguir em busca de um diploma e dedicar-me à engenharia civil, num país onde as crianças são obrigadas a trabalhar para comer", relembraria três décadas depois. A militância levou-o diversas vezes à prisão. A primeira delas ainda em 1932, quando participava de manifestação pela redemocratização, dissolvida pela polícia do interventor federal no estado, Juracy Magalhães. Nos anos seguintes, Marighella juntou-se ao esforço de tentar organizar, em condições adversas, o PCB baiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudou-se para o Rio de Janeiro no início de 1936, onde passou a atuar no setor de imprensa e divulgação do partido. O clima era de guerra: após o malsucedido levante comunista de novembro de 1935, Getúlio Vargas desfechou uma violenta perseguição aos opositores do regime, superlotando as cadeias. Luiz Carlos Prestes, inúmeros dirigentes e militantes foram presos e condenados pela Lei de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No 1º de maio de 1936, detido pela Polícia Especial de Filinto Müller, Carlos foi torturado 23 dias. Cumpriu um ano de prisão. Solto, partiu para São Paulo a fim de reerguer o partido e combater a dissidência trotsquista. Aos 26 anos, tornou-se membro do Comitê Estadual. Novamente preso em 1939, queimaram-lhe as solas dos pés com maçarico, enfiaram-lhe estiletes sob as unhas, arrancaram-lhe alguns dentes e abriram sua testa com uma coronhada. Não cedeu aos algozes. Numa solitária do Presídio Especial de São Paulo, escreveu o soneto "Liberdade":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ficarei tão só no campo da arte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, ânimo firme, sobranceiro e forte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo farei por ti para exaltar-te,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serenamente, alheio à própria sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que eu possa um dia contemplar-te&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dominadora, em férvido transporte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;direi que és bela e pura em toda parte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por maior risco em que essa audácia importe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não exista força humana alguma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que esta paixão embriagadora dome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que eu por ti, se torturado for,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;possa feliz, indiferente à dor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morrer sorrindo a murmurar teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado Novo confinou-o na Ilha de Fernando de Noronha, onde organizou cursos de formação política para os detentos, cuidou da horta comunitária e jogou futebol com integralistas. Transferiram-no em 1942 para a temida Colônia Correcional Dois Rios, na Ilha Grande. Além de acompanhar pelo rádio as vitórias dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, valeu-se da habilidade manual para criar uma oficina coletiva de artesanato, cujos produtos eram vendidos a parentes e amigos. A receita servia para melhorar a alimentação, comprar remédios, ajudar nas despesas das famílias pobres e no pagamento de honorários de advogados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Libertado com a anistia de 18 de abril de 1945, esperava-o à saída do Presídio da Frei Caneca, no Rio, o estudante de Direito Paulo Mercadante, designado para a tarefa pelo capitão Rollemberg, responsável pela área militar do PCB. Paulo era um dos jovens comunistas atraídos pela mística do "engenheiro que escrevia versos", que resistira heroicamente nas masmorras do Estado Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos portava uma pequena maleta e trajava um surrado paletó bege e calça azul-marinho. Mercadante levou-o à Casa Tavares, na Avenida Rio Branco, para comprar-lhe roupas. O dinheiro só deu para um terno e um par de sapatos. De lá rumaram para o consultório de um oftalmologista que lhe receitou lentes para a miopia. Há meses, Carlos sofria com a visão turva: os óculos haviam quebrado e, por estar encarcerado, não conseguira substituí-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escala seguinte foi na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, no Catete. Secretário-geral do Centro Acadêmico Luís Carpenter, Paulo Mercadante apresentou Marighella a professores, entre os quais o catedrático Homero Pires. Sua presença alvoroçou os estudantes, que o procuraram para conversar sobre política. Em companhia de Mercadante, do líder estudantil Paulo Silveira e do secretário da faculdade, Osvaldo Carpenter, almoçou no lendário restaurante Lamas, no Largo do Machado. "Simpático e esperançoso em relação ao futuro, Carlos logo nos conquistou", recorda Mercadante. Osvaldo Carpenter ofereceu-lhe um jantar em sua casa e o hospedou naquela noite. No dia seguinte, Marighella integrou-se ao Comitê Central do PCB, para o qual fora escolhido na Conferência da Mantiqueira, de 1943.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eleito deputado federal pelo PCB da Bahia em 2 de dezembro de 1945, com 5.188 votos, Marighella quis instruir-se em Direito Constitucional para atuar com desenvoltura na Assembléia Constituinte. Paulo Mercadante cedeu-lhe livros jurídicos, sendo Comentários à Constituição de 1891, de João Barbalho, o volume que mais apreciou. Bom orador, Marighella distinguiu-se como um dos autores do capítulo sobre direitos e garantias individuais da nova Constituição. Em dois anos de mandato, proferiu 195 discursos, denunciando as más condições de vida do povo e a crescente penetração imperialista no país. Defendeu a reforma agrária, a liberdade de culto religioso, o ensino leigo e o divórcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na moldura da guerra fria, o obscurantismo prevaleceu e, sob fogo cruzado do governo Dutra, o PCB teve seu registro suspenso em maio de 1947. Os mandatos de seus parlamentares foram cassados em 7 de janeiro de 1948. Quando o presidente da sessão comunicou ao plenário a decisão, a bancada do PCB, comandada por Marighella, subiu nas poltronas do Palácio Tiradentes e, de punhos erguidos em sinal de protesto, começou a gritar uníssona: "Nós voltaremos! Viva o PCB! Viva o proletariado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Juventude Comunista foi declarada ilegal, sedes do PCB fechadas, 143 sindicatos colocados sob intervenção e jornais comunistas empastelados à luz do dia. Meses após, sob rigorosa clandestinidade, Marighella assumiu a direção do Comitê Estadual de São Paulo. Continuou à frente da revista Problemas, que propagava aqui, como os demais periódicos do PCB, as teses dogmáticas do realismo socialista e as prédicas político-ideológicas de Moscou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1952, aos 41 anos, casado com Clara Charf, Carlos Marighella chegou à Comissão Executiva e ao Secretariado Nacional - órgãos máximos do partido. O PCB vivia um momento turbulento. Acuado, radicalizara sua plataforma no Manifesto de Agosto, de 1950, abandonando a política de frente democrática para pregar a luta armada, a ser liderada por um exército de libertação nacional. A orientação sectária levou os comunistas a pregarem o voto em branco na eleição presidencial que reconduziu, pela vontade popular, Getúlio Vargas ao Palácio do Catete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella endossou o Manifesto e, por extensão, o esquerdismo que isolaria o PCB das massas. No diário que mantinha à época, Paulo Mercadante anotou: "Carlos, conosco sentado, expunha a tese de que o partido, na linha justa que atendia aos interesses do povo, iria mobilizar, em progressão crescente, todas as classes exploradas, a fim de provocar, afinal, o salto necessário à tomada do poder. Carlos era sereno e sincero em suas exposições. Mesmo nelas não acreditando piamente, mantinha-se firme, sempre atribuindo às debilidades de sua origem burguesa a dúvida porventura existente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como membro da Executiva, ele chefiou a primeira delegação de comunistas brasileiros à China, em 1952. Apesar de estar com prisão preventiva decretada, acusado de "subversão", Marighella participou das lutas políticas e sociais dos anos 50, sobretudo a partir de 1952, quando começou a declinar a obediência ao Manifesto de Agosto. Carlos ajudou a organizar greves operárias em São Paulo e liderou a passeata de cem mil pessoas em protesto contra a carestia, em 1953. Clamou pelo monopólio estatal do petróleo; opôs-se ao envio de soldados brasileiros à Coréia; e combateu a desnacionalização da economia e a privatização do ensino. Foi uma das vozes influentes para que o PCB abandonasse, no IV Congresso, em novembro de 1954, o radicalismo estéril e voltasse a valorizar alianças eleitorais com os trabalhistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956, abalou o mundo com as denúncias dos crimes praticados por Josef Stalin. "Marighella tomou o Relatório Kruschev como se fosse uma punhalada de Stalin. Vi-o chorar de raiva e indignação", rememora Paulo Mercadante. "Ao contrário da maioria dos membros do Comitê Central, Carlos acatou o veredicto de Kruschev, descartando a versão de que o relatório era falso ou uma simples provocação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella permaneceu no PCB, tendo sido relacionado, juntamente com o secretário-geral, Luiz Carlos Prestes, entre os dirigentes que se opuseram a um debate interno mais prolongado sobre os rumos do partido. A crise resultou no desligamento da facção ligada a Agildo Barata e de vários intelectuais. A fidelidade de Marighella levou Prestes a confiar-lhe uma tarefa crucial. Entregou-lhe uma pilha de cartas endereçadas a amigos nos estados, solicitando contribuições financeiras para quitar uma dívida de um milhão e quinhentos mil cruzeiros, contraída em empréstimos feitos pelo setor de finanças do partido. Marighella cumpriu a missão, e a dívida foi liquidada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 1958, Marighella apoiou a Declaração Política que fundamentaria a mudança programática aprovada no V Congresso, em 1960. Os comunistas propugnavam agora por "um governo nacionalista e democrático", recomendando à classe operária "aliar-se à burguesia ligada aos interesses nacionais". O caráter da revolução brasileira, dizia o documento, era antiimperialista e antifeudal, nacional e democrático. Adotava-se a via pacífica para o socialismo, através da formação de uma "frente única nacionalista e democrática", integrada pelo proletariado, o campesinato, a pequena-burguesia e até setores de "latifundiários em contradição com o imperialismo norte-americano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella ficou com Prestes e a maioria da Executiva quando do racha que resultou na fundação do Partido Comunista do Brasil (PC do B), em 1962. A convivência na direção do PCB, porém, deixou de ser harmoniosa. Marighella e Mário Alves questionavam a política de aliança das forças progressistas com a burguesia nacional. Também não viam com bons olhos a relação de Luiz Carlos Prestes com o presidente Goulart, entendendo que o partido se punha a reboque de posições reformistas. Na perspectiva de Marighella, o partido deveria renunciar à moderação excessiva e intensificar a pressão pelas reformas de base. Reiterava a necessidade de os comunistas se prepararem para a eventualidade de um golpe de Estado, em função do agravamento do quadro político-institucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe militar veio em 31 de março de 1964. Marighella e demais líderes do PCB tiveram os direitos políticos suspensos por dez anos e foram indiciados em Inquéritos Policiais Militares. Carlos fugiu com a família minutos antes de seu apartamento alugado na Rua Corrêa Dutra, no Flamengo, ser invadido pelo DOPS. Ali, Carlos e Clara moraram legalmente durante os governos de Juscelino Kubitschek e João Goulart. Nos 21 anos em que estiveram juntos, foi o único período em que puderam conviver à luz do dia, com endereço e telefone conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 9 de maio de 1964, agentes do DOPS seguiram Marighella até um cinema da Tijuca, zona norte do Rio, que exibia o filme Rififi no safári. As luzes do salão acenderam-se e Marighella resistiu à voz de prisão gritando: "Abaixo a ditadura militar fascista! Viva a democracia! Viva o Partido Comunista!". Ferido à bala no peito, passou dois meses na cadeia, incomunicável, sendo exaustivamente interrogado até a concessão do habeas-corpus, impetrado pelo advogado Sobral Pinto. Teve que voltar à clandestinidade, em virtude da decretação de sua prisão preventiva pela Justiça Militar de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos de um ano depois, Marighella publicou Por que resisti à prisão. Os 18 capítulos englobam relatos autobiográficos, uma minuciosa descrição de sua prisão em 1964, denúncias de agressões a políticos, intelectuais e líderes sindicais, e uma avaliação sobre as conseqüências sombrias do golpe. Na parte polêmica do livro, expôs seu desacordo com o caminho pacífico para a revolução no Brasil. Apontou erros cometidos pelo PCB que teriam contribuído para o imobilismo das forças populares diante da queda de Jango. Considerou equívocos graves a política de conciliação com a burguesia ("a tendência da burguesia é para a capitulação sem resistência ante a direita"), a débil penetração no campo, o desprezo pela classe média, a subestimação do trabalho de base, o insuficiente empenho na formação política do proletariado e a confiança exagerada no dispositivo militar do presidente deposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 20 anos, o cenário alterara-se dramaticamente. Se no pós-guerra de 1945 a atmosfera de euforia com a liberdade e de esperanças no socialismo convencera Marighella a sustentar que "os golpes armados, a desordem, a violência não ajudarão a marcha da democracia para a frente", o contexto político de 1964 lhe parecia irremediavelmente cinzento e hostil. "Nenhuma possibilidade legal pode ser desprezada [...], mas é evidente que a solução do problema brasileiro por uma via pacífica se distanciou enormemente da realidade, depois do emprego da violência pelos inimigos do povo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa opção que geraria controvérsias dentro do PCB, ele passou a pregar a resistência armada como pressuposto para o fortalecimento da oposição à ditadura: "A realidade socioeconômica brasileira poderá levar ao aparecimento de guerrilhas e outras formas de luta surgidas da experiência das massas." Citou a Revolução Cubana como "exemplo ilustrativo de que na América Latina - ou pelo menos em muitos países latino-americanos - nada há a esperar de uma via pacífica para a conquista da independência ou do progresso social".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teses de Por que resisti à prisão, em linhas gerais compartilhadas por Mário Alves, Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender, foram derrotadas em reunião do Comitê Central do partido. A divisão tornava-se nítida: de um lado, o grupo de Marighella em oposição ao pacifismo; de outro, Prestes e a maioria do CC, que reafirmavam os postulados do V Congresso, deles partindo para elaborar uma tática frente ao novo quadro político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensaio "A crise brasileira", de 1966, Marighella demarcou o campo que poderia ser explorado com a guerrilha: "O Brasil é um país cercado pela atual ditadura militar entreguista e pelos círculos dirigentes norte-americanos, a cujo serviço se encontram os traidores que empolgaram o poder. Dentro das condições desse cerco, a guerrilha brasileira - com seu conteúdo nitidamente político - não pode deixar de significar um protesto, uma referência para a elevação da luta do nosso povo. [...] Ninguém espera que a guerrilha seja o sinal para o levante popular ou para a súbita proliferação de focos insurrecionais. A guerrilha será o estímulo para o prosseguimento da luta de resistência por toda parte. Para o aprofundamento da luta pela formação da frente única antiditatorial. Para o esforço final da luta de conjunto, de todos os brasileiros, luta que acabará pondo por terra a ditadura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas idéias foram mal-recebidas no PCB e, em dezembro de 1966, ele renunciou à Comissão Executiva, com a seguinte declaração: "Desejo tornar público que minha disposição é lutar revolucionariamente, junto com as massas, e jamais ficar à espera das regras do jogo político burocrático e convencional que impera na liderança." Em franca oposição à linha vigente, sustentou que "a luta pelas reformas de base não é possível pacificamente, a não ser através da tomada do poder por via revolucionária e com a conseqüente modificação da estrutura militar que serve às classes dominantes. O abandono do caminho revolucionário leva à perda de confiança no proletariado, transformado, daí então, em auxiliar da burguesia, enquanto o partido marxista passa a ser apêndice dos partidos burgueses".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella manteve-se, entretanto, no Comitê de São Paulo, sendo reeleito por ampla margem de votos. A controvérsia no PCB não o impediu de compilar os poemas que escrevera desde 1929 e publicá-los em dois volumes, intitulados Uma prova em versos e outros versos e Os lírios já não crescem em nossos campos. Transcrevo um deles, "O país de uma nota só":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo nada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem flores, louvores, triunfos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente um protesto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma brecha no muro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fazer ecoar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com voz surda que seja,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sem outro valor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que se esconde no peito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no fundo da alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de milhões de sufocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo por onde possa filtrar o pensamento,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a idéia que puseram no cárcere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem subiu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o leite acabou,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a criança morreu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a carne sumiu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o IPM prendeu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o DOPS torturou,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o deputado cedeu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a linha dura vetou,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a censura proibiu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o governo entregou,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o desemprego cresceu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a carestia aumentou,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Nordeste encolheu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o país resvalou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo dó,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo dó,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo dó...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em todo o país&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;repercute o tom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de uma nota só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de uma nota só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo desautorizado pelo Comitê Central, Marighella viajou com passaporte falso para Havana, onde, de 31 de julho a 10 de agosto de 1967, participou da 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (Olas). O evento reuniu dirigentes revolucionários de todo o Continente. Com o slogan "Um, dois, três, mil Vietnãs!", Cuba ofereceu suporte aos movimentos de libertação nacional da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ter a confirmação da presença de Marighella, o Comitê Central do PCB enviou telegrama ao PC cubano alertando que ele não estava autorizado a representar o partido na Olas e ameaçando-o de expulsão. Marighella respondeu com uma carta comunicando sua desfiliação. Encerrada a conferência, ficou alguns meses em Cuba e regressou ao Brasil com a promessa de apoio dos cubanos a um foco guerrilheiro. Em fins de novembro, o PCB formalizou a sua expulsão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O VI Congresso do PCB, realizado na clandestinidade em dezembro de 1967, aprovou resolução contra a via insurrecional. O partido conclamava os militantes a se empenharem numa ampla mobilização de massas contra o regime ditatorial. O horizonte revolucionário pressupunha uma gradual acumulação de forças e a organização da classe operária e das camadas antifascistas numa "frente democrática e popular".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fevereiro de 1968, Marighella fundou, com Joaquim Câmara Ferreira, o Agrupamento Comunista de São Paulo. "Precisamos agora de uma organização clandestina, bem estruturada, flexível, móvel. Uma organização de vanguarda para agir, para praticar a ação revolucionária constante e diária, e não para permanecer em discussões e reuniões intermináveis", explicou Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ação Libertadora Nacional (ALN) surgiu em julho de 1968, concebida como "embrião do exército revolucionário, a força armada do povo, a única capaz de destruir as forças armadas da reação, derrubar a ditadura e expulsar o imperialismo". A ALN rompia com a concepção de partido na tradição marxista-leninista, eliminando, nas palavras de Marighella, "o sistema complexo da direção que abrange escalões intermediários e uma cúpula numerosa, pesada e burocrática".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A ação faz a vanguarda", era o lema da ALN, bem de acordo com a série de assaltos a bancos e carros-pagadores promovidos no eixo Rio-São Paulo, alguns dos quais chefiados por Marighella. O Pequeno manual do guerrilheiro urbano, escrito e editado por Carlos em junho de 1969 e traduzido em vários idiomas, tornou-se um guia sobre técnicas de preparação de ações armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, a ALN representou o primeiro racha sério na esquerda. Na fragmentação político-ideológica, despontaram organizações pró-luta armada, como o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), Ação Popular (AP, depois Ação Popular Marxista-Leninista, APML), o PC do B e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ótica do PCB, o confronto com o regime militar era uma saída equivocada e voluntarista, pois não levava em conta a correlação de forças desfavorável à esquerda. Temia-se que a guerrilha fornecesse pretextos para a direita radical intensificar a repressão e aniquilar os espaços de liberdade ainda existentes, isolando de vez os comunistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais argumentos não encontraram eco entre os adeptos da luta armada, cujos ímpetos para a ação frontal se orientavam pelas referências mencionadas por Daniel Aarão Reis Filho: "a da utopia do impasse, ou seja, a idéia de que o governo não tinha condições históricas de oferecer alternativas políticas ao país; e a de que as grandes massas populares, desiludidas com os programas reformistas, tenderiam a passar para expectativas e posições radicais de enfrentamento armado, revolucionário".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois testemunhos ajudam-nos a compor o perfil de Marighella na fase atribulada da ALN. Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz - único sobrevivente do comando militar da organização - define Marighella como "a pessoa mais especial". E justifica: "Não era um dirigente, mas um líder sem cargo." Em depoimento ao movimento Tortura Nunca Mais, João Antônio Caldas Valença, o ex-frei Maurício, que conviveu com Carlos em 1969, quando ele se entrosou com os frades dominicanos em São Paulo, destacou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Marighella tinha uma maneira de olhar muito aguda e um jeito penetrante de abordar nos diálogos com seus interlocutores. [...] Era uma pessoa extremamente educada, gentil. Ouvia muito e se mostrava muito seguro nos argumentos quando falava. Tinha uma crítica muito aguda a toda uma vida de militância no PCB e ao seu processo de saída. Tinha toda uma reflexão crítica sobre a história das lutas populares no Brasil, das quais participara desde o período da ditadura de Vargas. Tinha um conhecimento da área técnica por estar ligado, no período dos seus estudos, às ciências exatas. Era poliglota, dominava os clássicos, embora pouco falasse a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Sua sensibilidade derramava em pequenos atos, por ocasião das suas visitas mais do que necessárias para o andamento da organização que dirigia, nas casas dos militantes da ALN. Lembrava do nome de cada filho do anfitrião. Tinha uma memória prodigiosa para guardar nomes e se preocupava com o desenvolvimento pessoal e a formação dos militantes. Tinha informação de cada pessoa que conhecera e guardava detalhes de conversas ou situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Segurança era uma preocupação constante dele no que se referia à ALN. Era exigente e tinha muita clareza do que queria sobre este ponto. Mas, ao mesmo tempo em que exigia, tinha uma ousadia de estar em qualquer canto que fosse necessário da cidade de São Paulo ou Rio de Janeiro. Era visto pelos que o conheciam nos locais mais inusitados, como praças do centro destas cidades. Ele não tinha medo deste tipo de locomoção desde que dentro de princípios de segurança que ele obedecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Valença, Marighella demonstrava "profundo respeito pelos dominicanos, sabia exatamente qual o papel do grupo de religiosos no processo de luta no Brasil, por isso respeitava sua religiosidade exposta, vivenciada várias vezes pelos frades. Chegou a estar presente em alguns atos litúrgicos, como a eucaristia, e notei nele um profundo respeito ao que estava sendo vivenciado por parte da comunidade (num colégio de freiras) em relação ao ato cristão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as operações da ALN após a decretação do Ato Institucional nº 5, inclui-se o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, em parceria com o MR-8. Há versões contraditórias sobre o envolvimento de Marighella no seqüestro. Conforme Reinaldo Guarany Simões, membro da ALN, ele ficou de fora: "Marighella havia sido contra o seqüestro, pois significaria o incremento das ações urbanas, quando, na realidade, o que se buscava era o ‘caminho para o campo’, a maneira de como iniciar a guerrilha rural. Mas Joaquim Câmara Ferreira concordara, como sempre concordou quando se tratava de uma ação mais intrépida, que pusesse o regime em prontidão. Na época do seqüestro, Marighella estava em Goiás e só foi informado do mesmo através dos jornais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que, em agosto de 1969, num folheto da ALN, Marighella advertira os mais afoitos para atos e avaliações triunfalistas no front guerrilheiro. "Alguns companheiros pensam que nossa Organização já está construída, perfeita e acabada. Tal pensamento não é correto. Nossa Organização vai se edificando à medida que a ação aparece. [...] É perigoso pensar que temos uma força que ainda não possuímos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Gabeira, então no MR-8, assevera que Marighella apoiou o seqüestro de Elbrick: "Nossas relações com a ALN eram ótimas, apesar de algumas discordâncias programáticas. O encontro foi feito com o próprio Marighella, que aceitou a proposta com entusiasmo. Tudo seria feito com a maior rapidez".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, Marighella divulgou um texto, por ocasião da libertação dos 15 presos políticos trocados por Elbrick, afirmando estar seguro de que "o povo brasileiro aprova a atitude da Ação Libertadora Nacional e dos que com ela participaram do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos. Foi esta uma das maneiras que os revolucionários brasileiros encontraram para liberar um punhado de patriotas que sofriam nas prisões do país os mais brutais castigos impostos pelos fascistas militares".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos estudos sobre Marighella assinala que, no último mês de vida, ele julgava conveniente um recuo nas ações armadas, com o propósito de resguardar a ALN em face da ofensiva brutal dos órgãos de segurança. A palavra de ordem da repressão era desmantelar a guerrilha urbana e liquidar com as organizações. Começou a haver prisões, torturas e mortes de militantes de diferentes grupos. Marighella pensava em acelerar os planos para a implantação da guerrilha rural. Viajaria para a região central do país em 9 de novembro de 1969.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de 4 de novembro, Carlos foi assassinado pela polícia política, numa emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo, a um mês de completar 58 anos. Sua morte e as sucessivas quedas, entre 1969 e 1971, atestaram a fragilidade da guerrilha no embate desigual com o aparato policial-militar e colocaram em foco erros cometidos pelas organizações na análise concreta da correlação de forças e na opção pela luta armada naquele momento específico da conjuntura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Mercadante encontrou Marighella pela última vez em 1967. Ao sair de um consultório dentário na esquina das ruas da Quitanda e São José, no centro do Rio, Paulo caminhava em direção à Esplanada do Castelo, quando avistou aquele homem alto, corpulento e de cabeça raspada. Os óculos escuros não foram suficientes para ocultar a fisionomia do amigo a quem não via há anos. Paulo caminhou em sua direção, Carlos reconheceu-o e abraçaram-se. Foi um contato rápido como a situação exigia - Marighella vinha sendo caçado como inimigo número um do regime. Por uma estranha coincidência, Paulo soube de sua morte exatamente no local do derradeiro encontro. Vindo do mesmo consultório dentário, o advogado parou na banca de jornais e leu, arrasado, as manchetes dos jornais sobre o desfecho do cerco policial na Alameda Casa Branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo de Marighella foi enterrado pelo DOPS, como indigente, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Dez anos depois, em 10 de dezembro de 1979, por ocasião da cerimônia de traslado de seus restos mortais para o Cemitério das Quintas dos Lázaros, em Salvador, Jorge Amado escreveu um comovente texto sobre o seu velho companheiro na bancada comunista na Constituinte de 1946, lido à beira do túmulo pelo ex-deputado do PCB Fernando Santana. Eis o trecho final:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.Atravessaste a interminável noite da mentira e do medo, da desrazão e da infâmia, e desembarcas na aurora da Bahia, trazido por mãos de amor e de amizade. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua luta foi contra a fome e a miséria, sonhavas com a fartura e a alegria, amavas a vida, o ser humano, a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estás, plantado em teu chão, e frutificarás. Não tiveste tempo para ter medo, venceste o tempo do medo e do desespero. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás em tua casa, Carlos; tua memória restaurada, límpida e pura, feita de verdade e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui chegaste pela mão do povo. Mais vivo que nunca, Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em maio de 1996, dossiê da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, do Ministério da Justiça, contestou a versão oficial de que Marighella morrera ao reagir à ordem de prisão dada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Conforme laudo do perito Nélson Massini, ele foi assassinado covardemente com um tiro no peito, à queima-roupa, depois de ferido por quatro disparos. A mando de Fleury, agentes do DOPS o atiraram morto dentro de um Fusca, para forjar o tiroteio. Em 11 de setembro de 1996, por cinco votos a dois, a Comissão de Mortos e Desaparecidos responsabilizou oficialmente a União pela morte de Marighella. O Ministério da Justiça homologou a decisão, determinando o pagamento de indenização à viúva Clara Charf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 13 de dezembro de 1999, a Câmara dos Deputados fez sessão solene para lembrar os 30 anos de morte de Marighella, também evocados na exposição "Carlos Marighella 30 anos depois", que percorreu o país após uma temporada no Memorial da América Latina, em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marighella é nome de rua no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Porto Alegre, e de um viaduto em Belém. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mantém na antiga fazenda Cabaceiras, hoje Acampamento 26 de Março, em Marabá, no Pará, a Escola Carlos Marighella, que atende 300 estudantes matriculados no ensino fundamental e 100 alunos na educação de jovens e adultos. Inaugurada em 1973 no município de Sandino, província de Pinar del Rio, Cuba, a Escola Carlos Marighella desenvolve atividades voltadas ao trabalho agrícola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Memorial Carlos Marighella, a ser construído pelo governo do estado do Rio de Janeiro no bairro proletário de Santa Bárbara, em Niterói, onde militantes comunistas costumavam reunir-se clandestinamente nos anos de chumbo. Na lápide da sepultura de Carlos, no Cemitério das Quintas dos Lázaros, Niemeyer desenhou-lhe a silhueta cravejada de balas, ao lado da frase que lhe serve de epitáfio: "Não tive tempo para ter medo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No importante ensaio "A chama que não se apaga", de 1984, Florestan Fernandes reavaliou as idéias, os atos, a perseverança, as vicissitudes, os erros e os acertos que singularizam o legado de Carlos Marighella. E concluiu: "Um homem não desaparece com a sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estatura à distância. É o que sucede com Marighella. Ele morreu consagrado pela coragem indômita e pelo ardor revolucionário".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dênis de Moraes é professor do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense. – denisdemoraes@bol.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-51913290442180216?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/51913290442180216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-90-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/51913290442180216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/51913290442180216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-90-anos.html' title='Carlos Marighella, 90 anos'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-9205700162919517383</id><published>2009-11-01T13:04:00.001-08:00</published><updated>2009-11-01T13:06:10.348-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Joaquim Câmara Ferreira'/><title type='text'>Marighella: vida e ação criadoras</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su33-_5N1bI/AAAAAAAAAVg/OgoMl0Khkxo/s1600-h/Mariga%2520-%2520BRESCOLA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399244189962458546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su33-_5N1bI/AAAAAAAAAVg/OgoMl0Khkxo/s320/Mariga%2520-%2520BRESCOLA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Joaquim Câmara Ferreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A publicação de alguns trabalhos de Carlos Marighella constitui, a nosso ver, não só uma homenagem ao homem que mais contribuiu a dar um novo rumo ao movimento revolucionário brasileiro, como também uma contribuição ao esforço de quantos se empenham, particularmente na América Latina, em seguir os exemplos dos povos cubano e vietnamita, empunhando as armas que a reação conseguiu arrebatar das mãos do Che Guevara e, agora, do próprio Marighella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos livros, folhetos e documentos que escreveu desde 1964, nem tudo é original. Neles encontramos muito do que já foi dito por Lênin, Mao Tse Tung, Ho Chi Min, Fidel Castro, Che Guevara e tantos outros. Mas tampouco se trata de copia. Marighella procura aplicar à realidade brasileira as verdades universais expressadas nas idéias dos grandes líderes das lutas emancipadoras de todos os tempos. E deduz, da analise das condições físicas, econômicas e sociais do Brasil, novos e originais elementos. "A ortodoxia é coisa de religião, e da velha religião", costumava dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação permanente em fazer a Revolução é o que levou o homem que dedicou toda sua vida à causa do socialismo a elaborar uma nova estratégia global para a luta de libertação dos brasileiros. Para ele, a expressão "o dever de todo revolucionário é fazer a revolução", ao contrário de constituir uma tautologia, tinha um sentido muito profundo. Todos os sacrifícios que fez, década após década, fê-los pela revolução. Porém, quando sentiu que os homens da organização a que pertencia se obstinavam na aplicação de fórmulas gastas, insistiam em manter a luta em estreitos limites táticos "até que sejam criadas as condições objetivas e subjetivas para a revolução", compreendeu que tinha chegado o momento para uma mudança radical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, as condições objetivas para a Revolução estão criadas há muito tempo, resultado da própria ação do imperialismo e do sistema de propriedade da terra. O golpe de 64 colocou em evidência essa realidade ao criar uma situação na qual se fecharam as válvulas de escape da democracia burguesa. A Revolução estava, portanto, na ordem do dia. Era preciso elaborar uma estratégia global a partir da premissa da necessidade da luta armada; traçar o caminho da guerrilha rural e urbana; atacar os centros nervosos da ditadura; atacar onde quer que se encontrem os norte-americanos e os gorilas. Essa seria a tarefa dos revolucionários que, com seu exemplo, mobilizariam e arrastariam à luta, contingentes crescentes de operários, estudantes, camponeses e gente do povo em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa sua visão e também a justa compreensão de que a luta de libertação dos povos da América Latina é uma só, e de que na batalha pela emancipação nacional e pela construção do socialismo os latino-americanos terão que unificar seus esforços — tal como no século passado na luta pela independência política — foi o que o levou a participar da conferência da Organização Latino-americana de Solidariedade — OLAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pronunciamentos de então, através da Rádio Havana-Cuba e da imprensa cubana, repercutiram profundamente no Brasil. Ele se dirigiu diretamente aos revolucionários e ao povo. Limitar a luta ao âmbito partidário seria condená-la à esterilidade das discussões intermináveis dos documentos fastidiosos e, finalmente, ao fenecimento da esperança. Além disso, a esquerda brasileira está atomizada. São vinte ou trinta organizações, todas elas pretendendo ser "o partido" ou a "vanguarda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação burocrática de mais uma organização a nada conduziria. Era necessário inverter os termos do problema. Um programa geral, estratégico e tático, já havia sido apresentado nos documentos aprovados pela conferência da OLAS, que sintetizavam as melhores experiências da luta libertadora dos povos da América Latina; suas conclusões coincidiam com o pensamento que amadureceu nos companheiros que tinham se rebelado dentro do PCB e em numerosos revolucionários de outras origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O essencial era a ação. "A ação faz a vanguarda", proclama então Marighella. E a direção? A direção é a guerrilha, é o comando guerrilheiro. O comando operativo se confundirá com o comando político-militar. Concentra-se então no estudo da realidade física do Brasil e das experiências das lutas guerrilheiras do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;País de proporções continentais, não existem no Brasil montanhas muito altas nem florestas muito densas nas zonas relativamente habitadas. Existem, porém, grandes rios e grandes extensões que proporcionam condições para rápidos deslocamentos. O importante seria fugir ao cerco estratégico das Forças Armadas concentradas na área do litoral e conhecer profundamente toda a configuração — estradas, caminhos, acidentes geográficos, etc. —, das zonas onde os grupos guerrilheiros terão de atuar. Do triângulo de sustentação — Guanabara, São Paulo, Belo Horizonte — partem os "eixos guerrilheiros", apontando ao "coração" do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém nem a guerrilha estará limitada ao "coração do Brasil", nem o triângulo de sustentação terá que se preocupar somente em fornecer-lhe armas, dinheiro, técnicos, medicina, etc. A guerrilha terá que se espraiar por todo o Brasil e o poder da ditadura terá que ser desafiado também nos centros vitais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerrilha urbana e rural, a sabotagem nas cidades e no campo, a ação dos pequenos grupos e a ação das massas, esta é a estratégia global da qual Marighella não faz segredo e expõe, até detalhadamente, a todos os revolucionários com quem entra em contato. E isso, não para fazer proselitismo, para colocá-los sob seu comando, mas sim para estimulá-los à ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grupos revolucionários podem unir-se ou atuar separadamente, manter ou não vínculos entre si. O essencial é a ação. Essa é a que despertará a energia revolucionária de nosso povo, a que determinará a formação de um caudal de lutas que nada poderá deter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é o que unirá realmente a todos os revolucionários, isso é o que fará surgir os comandantes. A vanguarda será a guerrilha, porém os comandantes serão pessoas de carne e osso que se revelarão no processo de luta e que não poderão ser nomeados por decreto nas cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a esse respeito ele gostava de recordar o exemplo de Virgulino Ferreira (Lampião), o chefe cangaceiro que durante décadas lutou em seis estados do Nordeste. Inicialmente o chefe do grupo era seu irmão, talvez por ser mais velho. Foram os dons de comandante de Lampião que fizeram que se tornasse o chefe reconhecido e acatado por todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi partindo dessas idéias básicas, e ao mesmo tempo partindo do zero em termos de armas, recursos financeiros e quadros treinados, que ele iniciou a ação em 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, conjuntamente com outros poucos, trata de conhecer o que chama de "o coração" do Brasil, de entrar em contato com os camponeses, de estudar suas reações e sua disposição de luta. De outro, agrupa em torno de si uns tantos homens e inicia as ações de expropriação. Pessoalmente vai aos bancos em busca dos recursos indispensáveis para financiar o plano revolucionário. Surgem assim outros quadros, acumulam-se algumas armas, diversificam-se as ações. O anonimato se mantém, não obstante, durante muitos meses. A polícia fareja, mas não tem segurança sobre o verdadeiro sentido dos repetidos assaltos a bancos e atos de sabotagem, nem sabe quem os dirige. Ao mesmo tempo outros grupos revolucionários passam à ação e isso é positivo porque aumenta seu volume ao mesmo tempo em que desorienta a polícia. Porém, em novembro 1968 a polícia da Guanabara consegue certificar-se de que o assalto a um carro transportador de dinheiro foi dirigido por Marighella e de que ele esteve no lugar da ação. Sua cabeça é colocada a prêmio e é declarado "inimigo público número um".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manchetes dos jornais, fotografias de páginas inteiras, capas de revistas, cartazes, emissoras de rádio e televisão cobrem todo o país. As versões são todas deformadas, porém, os brasileiros, acostumados à censura e ao noticiário oficial, já aprenderam a ler os jornais ao contrário. Interpretam justamente que existe uma atuação revolucionária concreta e que é possível atuar contra a ditadura. Por isso mesmo Marighella dizia que aquele assalto não havia produzido somente 120 milhões de velhos cruzeiros para os fundos revolucionários, mas sim cinco bilhões e 120 milhões de cruzeiros velhos. Pois os técnicos em publicidade estimaram em mais de cinco bilhões o preço que custaria tanta publicidade nos veículos de difusão capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toda maneira, as ações prosseguem e o movimento, a essa altura, já tinha crescido e se havia expandido por várias regiões do País. Era necessário consolidá-lo em uma organização. Daí o surgimento da Ação Libertadora Nacional. O documento "Questões de Organização" assinala que a organização terá uma frente de massas, dedicada fundamentalmente ao trabalho nas fábricas, bairros, escolas, fazendas, etc., partindo das reivindicações imediatas, mas sempre com uma perspectiva geral revolucionária. A essa "frente" cabe convencer as massas, tanto através da propaganda como da sua própria experiência, da necessidade da luta armada e guerrilheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frente de sustentação, ou logística, deve agrupar os companheiros capazes de contribuir à satisfação direta das necessidades da ação armada e guerrilheira. A frente guerrilheira esta constituída pelos Grupos Táticos Armados — GTA — nas cidades e os homens empenhados em ações parciais no campo. Finalmente, os companheiros empenhados na preparação concreta da guerrilha rural ficam diretamente ligados ao que se acordou chamar trabalho estratégico. Marighella insiste sobre as medidas indispensáveis de segurança e sobre a necessidade de uma intensa ação de agitação e propaganda — armada e não armada — com vistas ao esclarecimento das massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, a Ação Libertadora Nacional não pretende ser "o Partido" nem "a Vanguarda". Ela não surge através de um processo eleitoral, de reuniões e congressos, mas da própria ação. Sua direção é constituída pelos companheiros que mais se destacaram nas diferentes frentes de trabalho, particularmente na frente guerrilheira. Por isso mesmo não se trata de um conjunto cristalizado e regido pelo "centralismo democrático". A vanguarda surgirá efetivamente com o desencadeamento da luta armada no campo, da guerrilha rural e sua transformação em uma prolongada guerra de libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constituíamos um grupo revolucionário e havia outros. Não pretendíamos ser os donos da revolução, mas somente cumprir com nossa obrigação revolucionária. O que nos interessava, e por isso interessava ao movimento revolucionário brasileiro, era que todas as organizações passassem à ação. Elas se somariam sempre em benefício da revolução e facilitariam a aproximação das diversas organizações no processo da ação. Quando for necessário serão realizadas ações concretas comuns, porém, devemos evitar que as organizações se mesclem e surja o risco de serem descobertas pela polícia em caso de prisões. Como se sabe, ações desse tipo têm sido realizadas (por exemplo o seqüestro do embaixador norte-americano e, recentemente, do embaixador alemão) e propiciaram uma aproximação mais estreita entre as organizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando adotava as últimas medidas para garantir a segurança de numeroso grupo de companheiros (Marighella sempre se preocupava mais pela segurança dos outros que da sua própria) e se dispunha a iniciar a luta no campo que Marighella caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda quem pergunte se a ação prosseguirá depois de um golpe tão sério como o assassinato do principal dirigente da organização, do homem que mais contribuiu à mudança de qualidade no movimento revolucionário brasileiro. Porém, o próprio Marighella tinha muita clareza sobre isso. Respondendo a um jornalista francês da revista Front, em outubro de 1969, que lhe perguntou se ele mesmo conduziria ao final o processo que iniciara, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não se trata disso. A revolução não depende de pessoas, pois é uma questão do povo e de sua vanguarda. A parte que me toca foi dar o início. Nossa organização está integrada, em sua maioria, por companheiros de menos de 25 anos de idade. Cabe aos melhores entre eles assumir a direção. Um deles empunhará minha bandeira, ou, se você preferir, meu fuzil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mensagem enviada aos quinze patriotas libertados em troca do embaixador norte-americano, expressa uma vez mais sua profunda confiança na continuidade, desenvolvimento e vitória da luta de seu povo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O povo brasileiro começou sua caminhada. E avança decidido, ombro a ombro com os povos latino-americanos, com os olhos voltados para a revolução cubana, símbolo do triunfo do movimento revolucionário armado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite fatídica de quatro de novembro, os esbirros da ditadura cortaram a vida de um grande líder revolucionário, porém, longe de sufocar a Revolução, deram uma vibração ainda maior ao chamado à luta que foi toda sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome de Carlos Marighella se inscreve hoje com honra ao lado dos nomes de Che Guevara e de centenas de outros heróis da luta pela liberdade, pela independência, por um futuro feliz para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu exemplo continuará iluminando a luta libertadora dos brasileiros que saberão vingá-lo com a própria revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Câmara Ferreira&lt;br /&gt;Pela direção da Ação Libertadora Nacional&lt;br /&gt;Novembro de 1969&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-9205700162919517383?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/9205700162919517383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-vida-e-acao-criadoras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/9205700162919517383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/9205700162919517383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-vida-e-acao-criadoras.html' title='Marighella: vida e ação criadoras'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su33-_5N1bI/AAAAAAAAAVg/OgoMl0Khkxo/s72-c/Mariga%2520-%2520BRESCOLA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-417107622589554195</id><published>2009-11-01T12:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T11:48:30.430-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo Alipio Freire'/><title type='text'>Carlos Marighella - Trinta anos depois</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/politica/images/152323c.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 167px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px" alt="" src="http://www.terra.com.br/istoe/politica/images/152323c.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;em 30/08/1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Alípio Freire*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia Angel , Luiz Eurico Tejera Lisbôa, Paulo Wright e Carlos Marighella são apenas alguns dos assassinados pela ditadura militar implantada no país em 1964. São 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma característica própria da resistência dos anos 60 e 70 no Brasil e sobretudo pelas características da transição que ainda vivemos, a história daquele tempo permanece à sombra para a maioria da sociedade. A imagem dos militantes de então permanece muitas vezes ligada à versão oficial dos militares, ou a variantes criadas por alguns dos que sobreviveram e que, por serem apenas variantes, ganharam espaço na mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os debates, os projetos e sobretudo a singularidade daquelas pessoas que levaram sua generosidade ao limite, dificilmente vêm à tona. Não são tão poucos assim os trabalhos que tratam seriamente do assunto, sejam expressões de pesquisas, ficção, poesia, memórias etc. Mas, o fato é que esses não se massificaram enquanto informação, enquanto consciência, enquanto política ou enquanto memória coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos fatores contribuíram e contribuem para isto, desde a "conspiração da mídia" (aqui vale lembrar comparativamente o filme Os anos de chumbo, da alemã Marghrette von Trotta), até pequenos e menores interes ses no meio da própria esquerda formada, a partir do final dos anos 70 etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma esquerda que foi capaz de ser tão generosa em determinados momentos, é também capaz de grandes mesquinharias em outros. De jogos perigosos com sua própria história. Não adianta porém lamentar. É apenas o quadro hoje. Um dia, quem sabe, voltará a dar ibope (votos ou prestígio) ligar-se à retomada dessa história. Quem sabe?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, em todo caso, não é de bom tom. Isto fica para os rotulados de "saudosistas", para "aquele pessoal que anda por aí carregando bauzinho de ossos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobram familiares e meia dúzia de Branca Leone, os primeiros muitas vezes desrespeitados, "incapazes que foram de politizar o movimento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os mesmos e cada vez em menor número os que ainda hoje tentam esclarecer os assassinatos e ocultações de cadáveres, e recuperar a memória de uma luta que - queiram ou não alguns senhores - faz parte da história dos confrontos de classe no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento em que palavras como "modern idade", "cidadania", "democracia" e "ética", sem qualquer qualificação clara do que significam e a quem servem, são as grandes panacéias nacionais, certamente é mesmo de mau gosto tratar desses outros assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queremos ser felizes? Só queremos "cidadania".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, ainda há poucos dias, dois companheiros mais jovens me procuraram. Precisavam de fotos de um arquivo sob minha responsabilidade. Entre outras me pediam uma foto da "cidadania". Fiquei desentendido comigo mesmo. Sabemos todos que hoje em dia se fotografa e até se mede a aura. Outros conversam com duendes em seus jardins (acredito que não sejam os "anões" do Orçamento). Mas, foto da "cidadania"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desse quadro "ideológico" os que não aceitam o gueto que lhes querem impor, continuam seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco livros acabam de ser publicados, remando contra a maré da "modernidade". Esforço dos familiares. E amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros falam por si. E a impertinência e recalcitrância desses velhos jurássicos que insistem em resgatar essas memórias, é um grito ainda maior que os livros ou qualquer artigo que se possa escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro O calvário de Sônia Angel, organizado por seu pai, João Luiz de Moraes, e narrado por Aziz Ahmed, tem certamente a história mais patética, retrato da transição: trágica, como a dos demais livros, Sônia é uma das "desaparecidas" políticas cuja família conseguiu resgatar a trajetória dos seus últimos dias, e chegar ao seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: não bastasse o fato do Estado jamais ter sido responsabilizado por este e demais, assassinatos e os torturadores jamais terem sido sequer processados, o juiz Gilberto Fernandes, da 8ª Vara Cível do Rio de Janeiro, atendendo ao pedido do brigadeiro João Paulo Burnier, mandou apreender o livro. O militar sentiu-se "difamado e caluniado" por trechos da publicação que o colocam na condição de torturador e autor de várias mortes de presos políticos. Ora, de acordo com várias denúncias e depoimentos de ex-presos políticos, o brigadeiro Burnier, à época comandante da Base Aérea do Galeão, teria participado diretamente de torturas a presos políticos. Segundo carta do escritor Alex Polari Alverga, dirigida ao Supremo Tribunal Federal, Stuart Angel Jones foi torturado até a morte na Base Aérea do Galeão pessoalmente pelo brigadeiro Burnier. Além disto, o capitão Sérgio Miranda de Carvalho (o "Sérgio Macaco") em sua conhecida denúncia sobre o caso Parasar, afirma ter sido convidado em 1968 pelo brigadeiro Burnier para participar de um plano terrorista, que previa vários atentados a bomba no Rio de Janeiro, inclusive a explosão do gasômetro. O objetivo seria o de responsabilizar a esquerda pelos atentados e provocar o fechamento ainda maior do regime, o que acabou sendo realizado com a decretação do Ato Institucional nº5, em 13 de dezembro daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os demais livros são: a reedição do Por que resisti à prisão de Carlos Marighella (1964), agora apresentado por Antonio Cândido e prefaciado por Jorge Amado; Rondó da liberdade, que reúne poemas de Carlos Marighella, com apresentação de Clóvis Moura (ver matéria à página 80).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coronel tem um segredo - Paulo Wright não está em Cuba, uma delicada reconstituição da história do revolucionário de matriz cristã Paulo Wright, escrita por sua sobrinha Delora Jan Wright - a Lali, ainda adolescente quando do desaparecimento do tio, em 1973. Trata-se de um livro forte, força que vem do cuidado e carinho com que foi tecido. O trabalho é prefaciado por D. Paulo Evaristo Arns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, uma belíssiina declaração de amor à vida: Condições ideais para o amor, reunindo "poemas, manifestos e correspondência de um poeta-guerrilheiro", Luiz Eurico Tejera Lisbôa, o Ico. O livro foi organizado por Antonio Hohlfeldt, vereador em Porto Alegre pelo PSDB. Ico "desapareceu" em 1972, em São Paulo. Sua história e seu corpo só foram resgatados com o empenho do Comitê Brasileiro pela Anistia e de sua companheira, Suzana Lisbôa. O título do livro foi extraído de uma carta de Ico a Suzana, em 5 de julho de 1968:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não entendem que nós buscamos, em últimna análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ico, além de tudo, foi um grande poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;*Alípio Freire membro do Conselho Editorial do Jornal Brasil de fato&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-417107622589554195?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/417107622589554195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-trinta-anos-depois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/417107622589554195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/417107622589554195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/carlos-marighella-trinta-anos-depois.html' title='Carlos Marighella - Trinta anos depois'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-618784071854977034</id><published>2009-11-01T12:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:29:01.438-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista com Clara Charf'/><title type='text'>Memória: Entrevista com Clara Charf - Duas histórias de luta, uma história de amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSG8a5iWiI/AAAAAAAAAY0/Ag9dV8Gj8rA/s1600-h/Clara_Sharff_eterna_viuva.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401090225694988834" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 112px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSG8a5iWiI/AAAAAAAAAY0/Ag9dV8Gj8rA/s200/Clara_Sharff_eterna_viuva.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su31NPMrlGI/AAAAAAAAAVY/ioz974I46I4/s1600-h/marighella1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399241136053916770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 103px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/Su31NPMrlGI/AAAAAAAAAVY/ioz974I46I4/s200/marighella1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;em 30/12/1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Maria Rita Kehl e Paulo de Tarso Venceslau*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ela rompeu o cerco imposto por uma tradição machista e conservadora. A jovem militante em Recife entusiasmada com o fim do Estado Novo, a aeromoça que encantou Marighella, a vida clandestina e as perseguições impostas pela ditadura militar, o exílio, a anistia e a militância petista são alguns pontos dessa trajetória de vida/luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história que se confunde por muitos anos com a de seu companheiro Carlos Marighella, personagem mitológico das lutas de resistência do povo brasileiro, que carregava, ao lado da coragem provada nas masmorras e torturas da ditadura Vargas até seu assassinato pela ditadura militar há vinte anos, a sensibilidade do poeta, do artista, do revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara impôs sua personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfrentou preconceitos por ser de origem judia, por ser mulher independente quando o feminismo praticamente não existia, por ser revolucionária quando homens, com raríssimas exceções, tinham o monopólio dessa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, trabalhando na Prefeitura de São Paulo, apesar dos cabelos brancos, não consegue disfarçar a energia que irradia diante dos desafios e trabalhos que lhe ocupam mais de doze horas por dia. Foi preciso muita persistência para que Teoria e Debate conseguisse algumas horas de depoimento de Clara Charf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, você é uma pessoa que teve uma vida marcada pela clandestinidade, pela luta. Hoje, você se encontra no aparelho de Estado, a Prefeitura de São Paulo, junto ao gabinete do vice-prefeito, desempenhando tarefas importantes na área de relações internacionais. Como é para você compatibilizar convivências tão diferentes?&lt;br /&gt;Primeiro, a minha vida não foi só pautada pela clandestinidade. A clandestinidade foi decorrência da luta, da minha cassação de direitos políticos e da perseguição. Você exagerou um pouco. Eu trabalhei muitos anos sem ser clandestina. Tive profissões, trabalhei em diferentes lugares. Mesmo na volta do exílio eu também trabalhei, muito no partido desde que o PT foi formado legalmente, portanto minha vida não é só clandestinidade. Tem a ver com a luta na qual eu me integrei há muitos anos. Agora, estar na prefeitura hoje eu encaro com a maior naturalidade, porque é coerente com a vida que eu escolhi, marcada por episódios diferentes, de luta aberta, de massa, de luta clandestina, desde que comecei a militar no fim da Segunda Guerra Mundial. Nunca imaginei, isso é verdade, estar trabalhando numa prefeitura, como a de São Paulo, nas condições de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que foi esse processo de seu engajamento político? Teve uma virada na sua vida ou isso foi surgindo devagar? Teve um clique que te deu?&lt;br /&gt;Não. Começou lá em Recife. Meus pais mudaram de Maceió para lá. Comecei numa época em que a efervescência política no país era muito grande porque estava terminando a Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo eu já tinha contato com algumas pessoas que tinham estado presas durante o Estado Novo; alguns velhos comunistas. Naquele momento só se falava na vitória da União Soviética, um país socialista, e dos países aliados sobre o nazismo. Aquilo tudo explodiu em Recife com o aparecimento de gente que pipocava em todo lado procurando organizações, participando de comícios etc. Era uma grande festa da liberdade. Eu comecei a militar nessa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais te sensibilizou naquele momento?&lt;br /&gt;Eu tinha uma verdadeira paixão pela história que o pessoal que foi saindo da cadeia contava. Eu sou filha de família de classe média, e vivia num ambiente de classe média mas muito pobre. Eu ia observando tudo em volta. Havia muita criança miserável, condições muito ruins de vida, muita pobreza, naqueles bairros de Recife. Essas coisas todas mexiam muito comigo, sempre mexeram muito, tanto que eu queria até ser médica, porque achava que como médica eu ia resolver os problemas de sofrimento. Isso foi se misturando com tudo o que o pessoal que foi preso contava, com o objetivo da luta, para transformar a sociedade. Eu fui me ligando a estas pessoas, e depois, quando começaram os primeiros comícios enormes em Recife, vibrantes, cheios de calor, de paixão, de luta, eu fui em todos. Aí não perdia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já tinha algum tipo de organização de que você participava?&lt;br /&gt;Espera aí, calma... Inicialmente eu não era muito organizada. Eu estou dizendo como é que a gente ia acordando. Minha militância era muito fluida no começo. Ajudava a divulgar, propagar. Mas só oficializei minha militância aos 21 anos de idade, porque só aí me tornei dona de mim mesma juridicamente. Meu pai era contra que eu me metesse nessas coisas todas. Ele não acreditava naquela democracia, achava que ela só iria durar dois anos. Eu tive de romper com todas as proibições da minha vida familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobrenome Charf é um sobrenome judeu?&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa origem teve alguma influência?&lt;br /&gt;Esse é outro lado da questão. Quer dizer, para eu poder militar e ter essa rebeldia diante das proibições e dos preconceitos entrava também a questão da minha origem. Meus pais eram judeus russos. O meu convívio principal não se dava nas famílias judias. Dava-se também aí, mas era o centro da minha vivência. E eu me dava com todo mundo. Meus pais não conviviam muito com o grosso da sociedade israelita em Recife. A vivência deles, por serem judeus pobres, era muito mais mesclada, misturada, com os vizinhos. Agora, quando se tratava de namorar, quando se pensava em futuro, claro que a visão do meu pai era de que eu tinha de casar com um judeu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você trabalhava?&lt;br /&gt;Como eu não pude estudar medicina, fui trabalhar na base naval americana. A guerra ainda não havia terminado e os americanos tinham uma base naval em Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você fazia o quê?&lt;br /&gt;Como eu sabia um pouco de inglês e datilografia, era copista em inglês. Eu estudei datilografia e inglês com o dinheiro que minha mãe escondia das compras. Eu já havia estudado datilografia sem meu pai saber, era assim a cabeça dele. Essa situação se estendeu mais ou menos até minha mãe morrer. Em 1946, eu vim para o Rio e acabei sendo aeromoça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dava para conciliar o trabalho com a militância?&lt;br /&gt;Eu acho que essa profissão tinha a ver com a idéia de liberdade, de voar, de viajar, de conhecer, de entender o horizonte do conhecimento. Eu militava e trabalhava na profissão. O partido tinha células abertas no Rio. Era a liberdade da época. O partido tinha uma bancada de deputados. No Rio a situação era muito bonita, do ponto de vista da liberdade, porque era uma efervescência muito grande: reuniões, discussões, passeatas, festas. E muita gente jovem, sem muita idéia do que podia acontecer na medida em que ia se radicalizando o processo de organização popular. O recrutamento para o PC era feito em praça pública. Eu fiz isso várias vezes. Fazia parte da militância. A gente gritava: "Companheiros..." — era mais ou menos assim — "entrem no partido do Prestes", porque todo mundo era prestista naquela época. O pessoal se filiava na rua. Era uma coisa assim, aberta, de massa, mas sem nenhum outro tipo de preparação. Durou pouco tempo também. Dois anos de legalidade, só. E as pessoas não chegaram nem a adquirir cultura política, não chegaram a estudar o próprio processo histórico brasileiro. Então, quando veio a repressão, aquilo murchou. Eu conheci o [Carlos] Marighella na época da legalidade, lá no Rio. Marighella era parlamentar e eu trabalhava como aeromoça, a gente se encontrou casualmente. E depois nós trabalhamos juntos na fração parlamentar, uma forma que o PC encontrou na época para ajudar os parlamentares. Uma assessoria coletiva para todos os deputados do partido. E Marighella era deputado e responsável por essa fração parlamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você fazia?&lt;br /&gt;Eu ajudava em tudo, na documentação, no arquivo, na datilografia, na parte política. E foi lá que a gente foi convivendo. Nessa época o partido foi fechado, mas a fração parlamentar continuou aberta até 1948, quando os mandatos foram cassados. É importante ver como foi o comportamento do Marighella nessa época. É uma página muito bonita, porque o Marighella tem uma história de luta dura, desde que começou a militar, sempre marcada por perseguição ou repressão. Ele teve a possibilidade de se revelar na legalidade como deputado, como um dos parlamentares mais combativos. Além de ser grande orador, também tinha grande cultura escolástica. Recebia, do Brasil inteiro, cartas de trabalhadores dos correios, de ferroviários, de todas as profissões. E ele ia utilizando aquele material todo para orientar sua intervenção no Parlamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você sabe como começou a militância do Marighella?&lt;br /&gt;Ele começou sua história política também de forma rebelde, como estudante, se rebelando contra a intervenção de Juraci Magalhães (que foi interventor de Getúlio Vargas na Bahia), e fazendo poesia pegou a primeira cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que ano foi isso?&lt;br /&gt;Em 1932. Marighella tinha 21 anos. Ele se destacou na escola pela originalidade do comportamento escolar. Ele lutava contra preconceitos na Bahia. Naquela época havia até a segregação dos negros na escola. Ele era uma pessoa muito revoltada com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era mulato, não é?&lt;br /&gt;Era filho de italiano com mãe negra. Ele era mulato, cabelo bem pixaim. Então ele se ligou à militância comunista, se ligou aos estivadores, na Bahia, participou da Federação da Juventude Comunista e entrou na Escola Politécnica; queria fazer engenharia, mas abandonou tudo depois com a militância revolucionária. Veio para o Rio em 1936, foi preso, torturado na prisão, apanhou muito, ficou na cadeia até 1937. Depois de solto, foi para São Paulo, onde militou até ser preso novamente em 1939. Sofreu sevícias horríveis nessa época, e só saiu — depois de ter passado por Fernando de Noronha e Ilha Grande — no final da guerra e da ditadura de Getúlio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele saiu da prisão, então?&lt;br /&gt;Ele saiu em 1945. Os anos que Marighella viveu na cadeia são marcados por um comportamento heróico. Isso é conhecido. Tem até um livro famoso chamado Falta alguém em Nuremberg, escrito por um jornalista que já morreu, David Nasser, que conta toda a história da tortura do Marighella. Depois de ter unhas arrancadas, testículos quase esmagados, uma coisa bárbara, consegue escrever uma poesia belíssima que é Liberdade. Marighella era firme, contundente, corajoso; mas, ao mesmo tempo, era bem-humorado e brincalhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha muito humor.&lt;br /&gt;Bem-humorado, não parecia que aquele homem tinha passado por torturas tão grandes. Agora, tem uma outra coisa interessante sobre o comportamento dele na cadeia, uma outra marca da sua coerência. Não é só naquele momento, esse momento, é toda uma vida. Marighella, quando estava na cadeia em Fernando de Noronha, onde ele ficou tantos anos, organizou a universidade popular. Entende? Eram milhares e milhares de presos. Ele dava curso de teoria política, economia, ensinava marxismo. Dava aula de história universal. Eles foram montando, não só ele, eram todos os que estavam ali, mas ele foi um dos organizadores desses cursos. Ele achava que aquilo era necessário para que, na vida da cadeia, o homem não se perdesse, não se degradasse, não tentasse o suicídio, porque eram muitas as tentativas de suicídio. Você imagina: um homem preso numa ilha, sem saber o que estava acontecendo no mundo, sem perspectiva nenhuma, se ele não estivesse trabalhando, lutando, estudando, se organizando, ele morria. Definhava ali. Ele organizou jogos de futebol, grupos de teatro. O Marighella era um grande organizador. Ele fazia com que a própria especialidade das pessoas brotasse. Por tudo isso ele era extremamente querido pelos companheiros de cadeia. Posto em liberdade em 1945, ele foi para a Bahia e elegeu-se deputado federal pelo PC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você como aeromoça devia ser uma jovem bonita, pelo menos era uma condição básica exigida pelas companhias de aviação no mundo inteiro, já engajada no processo político, antes de 21 anos, e se encontra com uma figura daquele porte do Marighella. Como é que foi essa relação entre vocês, desde o início?&lt;br /&gt;Olha, eu não tive esse tipo de impacto na minha relação com o Marighella. Exatamente pelo fato de Marighella ser uma pessoa tão simples. Eu me apaixonei, evidentemente, como ele também se apaixonou. Foi na convivência do trabalho partidário mesmo, político, que a gente foi se conhecendo e evidentemente foi se amando. Mas nós só fomos viver juntos, na clandestinidade, em 1948. E aí é que começou a dureza para nós porque ele tinha sido cassado, a fração parlamentar fechada, ele estava com prisão preventiva decretada e eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes dele você tinha se apaixonado por alguém?&lt;br /&gt;Paixão, paixão, eu só tive essa. É a paixão mais linda da minha vida. Eu tive namorado, lógico, como toda moça, garota, mocinha, mas paixão assim de dizer: "É com esse mesmo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com esse que eu vou.&lt;br /&gt;Foi com Marighella mesmo. E nessas condições. Quer dizer, com proibição da família, perseguida pela polícia. E a gente se tornou companheiro no dia 4 de dezembro de 1948.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma época de redemocratização?&lt;br /&gt;Não. A redemocratização durou de 1945 a 1947. O partido foi fechado, colocado na ilegalidade, em 1947. Aí começou a perseguição. Ela se completou com a cassação dos mandatos dos parlamentares, em 1948. Aí o movimento começou a ser perseguido, o movimento sindical, o movimento camponês, tudo o que ia surgindo de luta, tudo que existia de luta foi sendo perseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marighella era dirigente do Partido Comunista. Agora, a sua militância, onde é que estava?&lt;br /&gt;Espera aí. O Marighella militou em muitos lugares. Quando foi cassado, em 1948, ele recebeu a tarefa de vir para São Paulo, quer dizer, ele veio para São Paulo já clandestino. Nós estivemos durante muitos anos militando com nome trocado. Isso só se amenizou um pouco a partir de 1955, na época do governo do Juscelino [Kubistchek]. Foi quando se fez a campanha pela eleição de Juscelino. Mas antes aconteceram ainda outras coisas. Eu militava sempre onde havia movimento de mulheres, quer dizer, onde havia organização de mulheres. Eu fui durante muito tempo da Seção Feminina do PC. Era uma espécie de comissão, junto à direção da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existia dentro do próprio partido uma tradição de machismo?&lt;br /&gt;Claro, sempre existiu. Tanto no comportamento político como no tratamento familiar, isso era mais ou menos comum. Sempre existiram muitas companheiras, e pelas quais eu tenho muito respeito, que só davam cobertura para o marido. Eram uma espécie de protetoras do aparelho, é verdade, mas era o máximo, e graças a elas muitos companheiros se salvaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seu caso não era bem esse. Você não era só protetora do marido militante.&lt;br /&gt;Não. Eu sempre fui militante. Mulher de um dirigente comunista e também militante. Agora, essa militância tinha implicação no cotidiano, entende? Você militava e você tinha casa, você não tinha empregada, você não tinha mãe, não tinha vizinho, não tinha ninguém que te desse uma força. O cotidiano era uma vida limitada, porque a vida clandestina é muito limitada. Você tem de ter certos cuidados. É uma vida muito difícil. Agora, o que tornava essa vida mais fácil, vamos dizer, esse cotidiano, era o comportamento do Marighella. Por exemplo, ele lavava roupa, mas não sabia passar. Então lia em voz alta enquanto eu passava roupa. Você já pensou num negócio desse? Divisão de trabalho é uma questão que eu encontrei, muito tempo depois, sendo discutida com tanta força no movimento feminista. Na minha vida com Marighella isso era muito natural. A atitude dele em relação ao problema da casa é uma coisa raríssima nos dirigentes comunistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês decidiram não ter filhos por causa da militância?&lt;br /&gt;Marighella já tinha um filho da primeira companheira que ele teve quando saiu da cadeia em 1945, e que viveu com a gente em alguns momentos. A gente durante muito tempo evitou, por causa da situação de instabilidade muito grande, e eu não tinha nenhum parente, nenhuma pessoa com quem eu pudesse contar. A vida clandestina não permitia esse tipo de contato. Então, a gente decidiu não ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, em 1952 você foi presa em Campinas como Marta Santos. Conta um pouco como é que foi.&lt;br /&gt;Em 1950 foi a época de muita influência do triunfo da Revolução Chinesa, do processo revolucionário, do Partido Comunista, idéias etc. Em 1952 Marighella foi para a China, chefiando a primeira delegação dos comunistas. Quando ele viajou eu recebi uma tarefa de montar uma escola em Campinas. Uma escola de formação de quadros. Eu cheguei em Campinas, não conhecia a cidade e fui recebida por um companheiro que estava sendo perseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se lembra quem era esse companheiro?&lt;br /&gt;Era o Hermes Kaires. Eu esqueci o nome todo. Ele me recebeu e ia me levar para uma casa onde eu ia ficar morando para depois poder montar a escola. Aí, a polícia cercou a rua. Eu estava com uma máquina de escrever e uma maleta de livros, era a bagagem. Tinha uma sacola com umas coisas. Ele conseguiu fugir porque conhecia a cidade. Ele tinha mesmo de fugir, é lógico, estava sendo procurado pela polícia. Ele se mandou e eu fiquei sozinha ali. A polícia cercou, eu comecei a gritar, protestando, mas não adiantou nada. Me levaram. Naquele tempo não tinha preso político em Campinas. Me levaram para a cadeia da cidade. Só havia presas comuns: ladras, prostitutas. Quando abriram a mala, viram livros e aquela faixa linda japonesa que eles nem sabiam o que era. Eu também não sabia direito o que era. Sabia que era uma faixa da Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Japão, que eu tinha trazido porque achava linda demais e levei na mala para mostrar aos alunos a lindíssima faixa. Quando eles viram aquela faixa toda escrita em japonês, cheia de símbolos, aí, pronto, eles espalharam para todo o mundo que eles tinham prendido uma espiã internacional chamada Marta Santos (que era o nome que constava na minha receita do oculista), abandonada pelo amante, que fugiu. Aí, a população se comoveu: como é que o amante deixou a outra sozinha? Eu fiquei presa, mas aconteceu uma coisa muito bonita na cadeia. Foi a solidariedade da população. A população e os presos comuns foram se comovendo com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo você ficou presa?&lt;br /&gt;Alguns meses. Não me lembro direito. Só fui solta quando impetraram o segundo habeas-corpus e aí foi firmada a jurisprudência, naquela época, de que ter material comunista não era crime. Crime era ser apanhado distribuindo material. Na cadeia aconteceu um episódio muito interessante. Quando fui presa, eu estava começando a ficar menstruada e tive hemorragia. Eles me jogaram numa cela de presas comuns e disseram assim: "Não falem com essa mulher, porque ela é comunista." E as presas, imaginem, não sabiam o que era essa palavra. E eu com a hemorragia, ali. Daí, elas pegaram um lençol, rasgaram em pedaços — foi uma coisa linda —, expliquei que a minha batalha era para mudar aquelas condições de vida, e aí a polícia me tirou da cela, porque disse que eu estava mudando a cabeça das presas. Mas aí começou a chegar roupa, remédio, a cidade inteira ficou muito... foi um impacto muito grande. Enquanto eu estava presa, Marighella chegou de viagem, clandestino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando um pouco, tem uma passagem que eu gostaria de saber: como foi a reação de Marighella quando houve a divulgação do famoso relatório de Kruchev sobre os crimes de Stalin, que era uma referência importantíssima para o movimento naquele momento? Já ouvi comentários de que o Marighella ficou profundamente chocado com a revelação dos crimes de Stalin, que ele teria ficado três dias e três noites sem dormir, profundamente abalado com aquelas revelações.&lt;br /&gt;Eu me lembro. Foi numa reunião do Comitê Central em 1956, quando se fez a revelação oficial. O Estadão já tinha publicado o relatório denunciando os crimes do stalinismo e o problema do culto à personalidade. Foi o caos. Durante um tempo não se fez reunião nenhuma; uns diziam para os outros: "Não, isso não é verdade." A tendência generalizada de todo mundo, dos dirigentes, dos dirigidos, é de que aquilo não podia ser verdade. Como é que alguém que a vida inteira achou que o socialismo era uma coisa tão linda, tão pura, podia admitir que aquilo tivesse acontecido lá? Nós esperamos que o [Diógenes] Arruda fosse à URSS e trouxesse a verdade, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí trouxe exatamente o quê?&lt;br /&gt;Teve de dizer que aquilo era verdade. Claro, ele teve de colocar na reunião do Comitê Central, e enquanto ele não chegou não se fez reunião do Comitê Central. Porque ele tinha a versão correta, quer dizer, pensava-se que a única versão correta era aquela trazida diretamente de lá e não aquela que saiu nos jornais que sempre criticamos como jornais que estavam inventando, fazendo campanha, denegrindo o socialismo etc. Quando o Arruda chegou e confirmou os fatos numa reunião do Comitê Central, foi um terremoto. E vou te dizer: Marighella chorou na tribuna. Na reunião havia uma tribunazinha onde o pessoal fazia intervenções, e aí ele chorou. Ele ficou profundamente comovido, não é que ficou abalado em suas convicções, na luta pelo socialismo, como alguns que depois se mandaram, abandonaram a luta para sempre. Ele não. Ele se levantou contra tudo aquilo e começou a batalhar pela reestruturação do partido com novas formas de direção, botando de lado tudo aquilo que era errado, incorreto, os abusos, o autoritarismo, todos os crimes que eram denunciados, porque nossa tarefa era libertar o povo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você ficou em dúvida? Como é que se sentiu?&lt;br /&gt;Eu também fiquei abaladíssima. Para mim o comunista sempre foi um lutador, revolucionário, pessoa íntegra, pessoa humana com defeitos e qualidades como todo mundo tem, mas íntegro no seu comportamento, com coerência de vida. Para mim, um comunista tem de ser um cara decente, companheiro, fraterno, solidário, eu sempre achei isso. Eu acho isso até hoje. Enfim, as pessoas ficaram baqueadas durante muito tempo e depois foram se reincorporando devagarinho, outras abandonaram para sempre, foram cuidar de outras coisas. Debandaram mesmo. E o Marighella, apesar de ter ficado tão abalado com a denúncia, ia procurar pessoa por pessoa. Ele era um homem de uma tenacidade muito grande. E dizia: "Nós temos de ter um partido revolucionário diferente disso que a gente soube que aconteceu." E foi ele praticamente quem ajudou a manter o pessoal unido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma fase posterior em que o Marighella foi bastante crítico em relação ao Prestes. Como é que foi esse processo?&lt;br /&gt;Mas aí tem outro fato que é mais importante. Arruda acumulava poderes de direção e decisão no partido e Prestes era uma figura permanentemente clandestina. Quase ninguém tinha acesso ao Prestes. Só o Arruda e mais umas duas ou três pessoas. Ele estava absolutamente afastado do contato com os militantes, entende? A solução foi trazer o Prestes para a discussão no partido. E o Marighella foi quem assumiu a responsabilidade de trazer o Prestes para a legalidade. Juscelino já tinha sido eleito, a eleição tinha sido feita com o apoio do pc. Então, o Marighella começou a defender que precisava trazer o Prestes para falar à imprensa. Ele devia aparecer, já que era o dirigente máximo do partido. Claro que aí havia gente que dizia que não. Foi um impacto o Prestes dar uma entrevista depois de tantos anos de clandestinidade. O PC já tinha uma sede alugada na Cinelândia, no Rio de Janeiro; não havia nenhuma inscrição do Partido Comunista, mas todo mundo sabia que os comunistas se reuniam lá. Era pública. E era lá que se reunia a direção. Todo mundo ia lá. O Marighella tinha aquela visão de modificar, de tornar o partido aberto. Ele achava que tinha que romper alguns tabus. Atuando praticamente como legal. A partir daí é que nós começamos a viver legalmente, ele e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em que consistia seu trabalho com mulheres nessa época?&lt;br /&gt;Eu fazia trabalho de organização partidária, que era discutir e ajudar a organizar a questão da mulher dentro do partido e no movimento. Depois, a gente formou muitas organizações que se desfizeram ao longo da história. Aí seria um capítulo especial sobre o movimento de mulheres, mais ou menos seguindo o próprio percurso. Em 1959 a gente fundou a Liga Feminina do Estado da Guanabara, que foi uma das entidades mais combativas de mulheres até hoje. Foi a organização que teve talvez mais contato com a população, que levantou mais a problemática da mulher e que tomou posição também diante dos grandes problemas do país. Até o golpe. Eu fui a Cuba como convidada para participar de um congresso representando a Liga. Foi lá que eu tive oportunidade de assistir aos acontecimentos de 1962, a retirada dos mísseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi esse episódio?&lt;br /&gt;Os americanos cada vez mais ameaçavam Cuba de invasão. Já tinha havido a invasão de 1961, conhecida como a invasão da Baía dos Porcos, que os cubanos levaram 72 horas para rechaçar. Houve uma mobilização impressionante do povo. Os americanos não aceitavam ter uma ilha se declarando socialista a 90 milhas dos Estados Unidos. Era um exemplo perigoso de transformação para as sociedades do continente. Então, eles foram cada vez mais apertando o cerco, e o bloqueio se deflagrou. Na reunião da OEA em Punta del Este já tinham decretado o bloqueio a Cuba. Cuba estava isolada. Qual era a idéia dos americanos? Isolar, para depois invadir. Diante disso, a URSS — que vinha ajudando Cuba desde os primeiros momentos da Revolução, mandando petróleo, comida etc. —, a pedido do governo cubano, colocou os mísseis para que Cuba pudesse se defender no caso de um ataque. Os americanos detectaram que os mísseis estavam lá e exigiram que fossem retirados. Isso gerou um conflito de proporções internacionais fantásticas, uma luta direta entre a URSS e os EUA, tendo Cuba como centro. Os americanos praticamente anunciaram que iam invadir se os mísseis não fossem retirados. A URSS, achando que isso poderia se transformar em realidade, retirou os mísseis. Foi uma coisa rapidíssima. Mas a população cubana não sabia; Kruchev retirou os mísseis antes de consultar os cubanos. Eu estava em Cuba nesse momento. Todas as atividades foram suspensas, os vôos todos interrompidos, você não podia entrar nem sair, a população todinha começou a se preparar, eu vi brigadas de primeiros socorros com crianças de 9 anos de idade. Impressionante! E o povo cavando trincheiras, eu nunca tinha visto uma metralhadora de perto. Mesmo da janela do hotel a gente via tudo. Duas coisas me impressionaram naquele momento: de um lado, o grau de mobilização da população, que eu nunca tinha visto igual, o povo inteiro na cidade, parecia formiga, todo mundo se preparando. E, de outro lado, o povo querendo saber o que ia acontecer. E começaram a anunciar que Fidel ia falar. Nesse meio tempo chegou o Utan, presidente da ONU, que era tailandês. Começaram as negociações e aí eu vi um espetáculo incrível. A ilha praticamente ficou paralisada para ouvir a explicação de Fidel. Todo mundo, sentado no chão, em cadeiras, em pé, de todo jeito. Aquele silêncio impressionante. Então ele foi, ao mesmo tempo, colocando a posição dele de respeito à solidariedade da URSS e a crítica pelo fato de Kruchev ter feito a conversação com Kennedy, sem ter falado com ele. E depois ele continuou o discurso conclamando o povo a se mobilizar, a se organizar, porque eles não podiam acreditar nos EUA mesmo que tivessem feito o acordo, que quem defendia a independência do país era o próprio povo. Quando terminou, era um silêncio, mas um silêncio tão bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1963, você estava na URSS. Quando a primeira mulher foi ao cosmos. Como foi esse episódio?&lt;br /&gt;Em 1963 foi realizado na URSS o Congresso Mundial de Mulheres. E o Brasil foi convidado também. Fomos 53 mulheres do Brasil, de vários estados. Era uma delegação bastante heterogênea. Foi uma experiência muito rica para todo mundo. Primeiro, um contato com as realidades de todos os movimentos que participavam do congresso. Segundo, as conquistas da mulher soviética no campo econômico, principalmente, e também no terreno social, e o fato de a primeira cosmonauta ser soviética comprovavam a possibilidade de a mulher ter acesso a qualquer tipo de profissão. Foi um impacto muito grande na nossa delegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estamos às vésperas do golpe militar de 1964. Como foi a sua experiência?&lt;br /&gt;O Marighella tinha sempre a preocupação de que as crises políticas iam se repetir até se dar o desfecho. Essa não era a opinião da maioria da direção. Tanto é verdade que a crise foi se agravando e a direção não se preparou absolutamente em nada, nem tinha uma casa para se esconder. O golpe estava sendo preparado ostensivamente na área militar e na área civil. Nos meios de comunicação era uma coisa terrível. Basta você ver a imprensa daquela época. E o PC confiava em que o povo estava cada vez mais forte, que o golpe não viria. E essas idéias todas foram produzindo uma confiança muito grande nos quadros da direção. A análise estava errada. E como estava errada, o despreparo ficou evidenciado a tal ponto de você não tomar medidas de segurança nem com os dirigentes. Não se imaginava que fosse acontecer, então para que se preparar? A única pessoa que não foi tomada de surpresa foi o Marighella. Porque, com muito tempo de antecedência, ele começou a preparar uma casa para ele no caso de necessidade. E foi o que aconteceu. No dia do golpe, a polícia veio nos prender; subiu de elevador enquanto nós descíamos pela escada. Isso em nível pessoal. Em nível partidário, a preparação da resistência não dependia só dele, dependia do conjunto de dirigentes. Mas havia um confronto de idéias e atitudes dentro da direção e a prática revelou que Marighella tinha razão. Os fatos e a realidade comprovaram isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando houve a prisão dele em 1964 no Cine Sky Tijuca, vocês estavam morando juntos?&lt;br /&gt;Quando o golpe se deflagrou no dia 31 de março, Marighella tentou ainda organizar a resistência na Cinelândia. Ele com alguns militantes de esquerda, estudantes e pessoas que estavam ali. Isso é um fato que muito poucas pessoas conhecem. Ele achava que era inconcebível aceitar o golpe sem fazer nada. Qual era a idéia dele? É de que era preciso não deixar esfriar. Que o golpe tinha produzido um impacto muito grande no meio da população, certo? E de que era preciso fazer um chamamento ao povo para se organizar, para ver se se tentava evitar todas as conseqüências posteriores. E aí fez um contato com pessoas que pensavam como ele e imprimiram o primeiro jornal chamado Resistência... Ele tentou reorganizar a resistência uma vez que o PC estava disperso. Foi quando ele foi baleado e preso, no dia 9 de maio de 1964. Como nós tínhamos saído do apartamento só com a roupa do corpo, ele manteve contato com a zeladora do prédio para que ela mandasse as cartas ou o que chegasse. Nesse contato ele percebeu que estava sendo seguido, mas não tinha certeza. Aí, o que ele fez? Como ele conhecia a região, entrou no cinema para fugir na saída. Por isso ele entrou. Era de tarde, uma matinê, cheia de crianças. E aí, quando ele entrou e se sentou, a polícia fez o cerco ao cinema e entrou atirando nele dentro do cinema. Criou um enorme pânico com crianças gritando, chorando, apavoradas com aquele tiro. O que salvou foi que ele deu um pulo e começou a gritar: "Abaixo a ditadura militar fascista!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já baleado?&lt;br /&gt;Já baleado. Então, ele começou a lutar com a polícia ali dentro, mas foi sendo arrastado e começou a desmaiar, porque estava perdendo muito sangue. Quando ele chegou na porta do cinema, recuperou um pouco as forças e começou a empurrar com os pés; eram 14 policiais. Foi tão violento e tão covarde que quando eles o levaram ao hospital, nenhum hospital queria aceitá-lo. Perguntavam: "Que que é, esse homem sofreu um acidente? Foi baleado?" Como eles não podiam dizer que ele tinha sido baleado pela própria polícia, os hospitais se recusaram a recebê-lo, até que ele foi bater no Souza Aguiar, o hospital que o recebeu, tirou a bala e tudo. E quando ele recuperou os sentidos dentro do hospital, ainda pensando que estava lutando, ele continuou gritando: "Abaixo a ditadura fascista!", aquelas coisas todas. Aí o médico falou para ele: "Marighella, você não está brigando com a polícia, você está num hospital." Daí ele se acalmou, ficou quieto, tiraram a bala depois. Mas isso levantou um clamor. O Correio da Manhã, que havia apoiado o golpe, começou a protestar, dizendo que não tinha havido tiro no golpe de 31 de março. Que o único tiro havido no golpe era o tiro que deram no Marighella. E começou a fazer campanha denunciando o horror que foi aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou quanto tempo na prisão?&lt;br /&gt;Não chegou a quatro meses, naquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você sabia que ele estava vivo?&lt;br /&gt;Não, imagina. Foi uma loucura isso aí. A polícia passou a notícia de que ele estava passeando no cinema com uma amante. Era a zeladora que tinha levado a roupa para ele. Ela foi presa também. Foi presa e torturada. Queriam saber se havia chineses em casa, uma loucura, né? E a gente ficou em dúvida. Eu não podia visitá-lo na cadeia, foi uma coisa bárbara aquele momento. Quando ele saiu, estava com 14 quilos a menos. Na cadeia ele teve a mesma postura de sempre. Dessa vez ele não foi torturado fisicamente. Quando o general Taurino Rezende foi lá — Taurino era o general dos IPMS, os famosos Inquéritos Policiais Militares, que teve um filho preso também — para examinar as condições carcerárias, Marighella arrancou a camisa e começou a protestar, denunciando as condições de tortura de outros presos, gente que estava quase cega, gente que perdeu a vista mesmo, gente que foi torturada de todo jeito. E não tinha havido até então nenhum tipo de luta. Por isso é que a ditadura militar é tão criminosa. Prenderam todo tipo de liderança, inquéritos policiais foram instaurados contra todo mundo, foi uma das épocas, mais vergonhosas da história do Brasil. Até uma feijoada na casa do Ênio Silveira* resultou num Inquérito Policial Militar, coisa ridícula, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o partido?&lt;br /&gt;Marighella continuava sem contato com a direção. Imagina, depois do que aconteceu, eu acho que a direção não queria nem vê-lo. Houve muita crítica em cima dele. Como é que um mês e nove dias depois do golpe ele estava andando pela rua? Mas levantou uma simpatia no meio da juventude. Era o primeiro ato de resistência que aparecia contra a ditadura e que foi descrito no livro Por que resisti à prisão. Ele diz no livro mesmo que a resistência pessoal era uma atitude que ajudava a mostrar que era preciso resistir contra aquela ditadura. Quer dizer, às custas do exemplo dele mesmo, do combate que ele travou sozinho ali, naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse livro caiu como uma bomba?&lt;br /&gt;Claro. A direção achava que era um absurdo, que era uma atitude aventureira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sempre fechou com ele ou teve momentos em que você discordou?&lt;br /&gt;Não, tinha algumas posições de que eu discordava, vamos dizer, na prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atitudes mais radicais dele?&lt;br /&gt;Não. Nessas horas ficava com ele. Quando houve o negócio do cinema fiquei abaladíssima porque eu não estava com ele naquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse episódio, que foi marcante, como é que evolui a ruptura definitiva com a direção?&lt;br /&gt;Aí é o período em que ele procura travar a polêmica no terreno das idéias, foi mais forte porque houve a tal desagregação do partido naquela época, tal a falta de orientação, ninguém sabia o que fazer, ficava todo mundo esperando. Após o golpe, a situação ficou pior do ponto de vista econômico, o custo de vida, a carestia, o desemprego, a falta de liberdade. Estava todo mundo descontente, mas pouco a pouco o povo foi se reorganizando. Você vê pelo processo de resistência dos estudantes. Para o movimento operário foi bem mais difícil porque tudo era muito perseguido. Agora, o Marighella estava nessa batalha de tentar ganhar o partido para uma outra concepção sobre como conduzir a luta daí para frente. Ele escreveu dois livros e defendeu suas teses no processo de preparação do VI Congresso. Foi contra todas as teses revisionistas que circulavam, principalmente no comitê de São Paulo, e as idéias dele foram ganhando corpo dentro do partido. Então, nesse ambiente foram preparadas as discussões e depois o próprio congresso, mas aí aconteceram coisas incríveis. A direção tentou criar obstáculos contra a livre expressão das pessoas que tinham idéias contrárias à sua. Eu mesma não pude participar porque não me pegaram para ir ao local do congresso. Aqui em São Paulo as teses do Marighella foram vitoriosas. Quase por unanimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa razão foi boicotado?&lt;br /&gt;Sim. A traição começou por aí. A direção nacional ajudou a criar uma direção estadual paralela que se contrapunha a essas teses vencedoras. Você entende? Daí é que ele foi vendo que não havia condições, foi aí que ele foi perdendo definitivamente a crença na possibilidade de continuar lutando dentro do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é que se dá a ruptura?&lt;br /&gt;Quando ele decide participar da conferência da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade) em Cuba [em julho de 1967], à revelia da direção do PC, que o desautoriza. Nesse momento ele escreve a Carta de Havana, que é um marco histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Agrupamento Comunista, quando foi formado?&lt;br /&gt;Quando ele voltou, o partido tinha traçado a sua linha, com a qual a gente não concordava. Foi quando ele formou o Agrupamento Comunista de São Paulo. Uma série de companheiros que pensavam como ele no Agrupamento Comunista eram chamados para um outro tipo de ação contra a ditadura militar. Mas o Agrupamento não podia ficar só naqueles chamamentos. Porque naquela época havia um grande processo de discussão na esquerda desse país. Muitos grupos surgiram, foram pipocando aqui e ali. Exatamente porque o partido não conseguia dar a resposta à situação. Cada grupo propunha uma coisa diferente para enfrentar a ditadura. Mas os grupos não entravam em acordo. Era uma dispersão violenta. Teve uma vez em que o Marighella se reuniu com 19 grupos diferentes e todos diziam que estavam contra a ditadura militar, todos diziam que era preciso reagir, mas ninguém propunha um encaminhamento prático. E nem se chegava também a uma unidade da concepção sobre a tática que se devia utilizar para a luta. A análise que ele fazia era a seguinte: havia dois caminhos — ou a gente começa a agir e vai aglutinando as forças ou essas forças vão se dispersar, vão se desgastar, a ditadura vai se reforçar e o povo vai ficar paralisado. Foi isso que levou Marighella à concepção de que era preciso fazer um tipo de organização que agisse, e daí esse nome: Ação Libertadora Nacional. Ação porque era a forma de trabalho concreta. Libertadora Nacional porque ele achava que o caráter de luta diante da situação que havia no Brasil era antiimperialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele pensava em aglutinar todos esses grupos de esquerda?&lt;br /&gt;À medida que a ação fosse se processando, aqueles grupos que discutiam iam acabar se juntando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a concepção do partido?&lt;br /&gt;Ele achava que a direção tinha se burocratizado, tinha perdido a visão revolucionária do processo no Brasil, que era melhor formar um partido com aqueles homens e mulheres que fossem fazendo a luta, fossem se revelando lideranças autênticas. Essa foi a divergência que houve entre os que defendiam a formação imediata de um partido e os que pregavam a formação de um partido no processo do próprio combate, como era o caso do Marighella. Eu já ouvi várias críticas ao Marighella, de que ele teria orientado a resistência contra a ditadura só na área militar. Isso não é verdade. Ele achava que o movimento de massas sozinho não teria vez contra a ditadura. A ditadura cortava as lideranças sempre que despontavam. Então, ele achava que deviam nascer as duas coisas juntas: ir levantando o movimento de massas, para ir organizando a população em torno das suas reivindicações — liberdade, trabalho, direito de organização etc. — e, ao mesmo tempo, com as ações armadas, ir respondendo à brutalidade da violência dos militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, o campo era considerado uma área estratégica, onde se conseguiria um exército revolucionário, uma vez que a cidade vivia permanentemente sob cerco tático, portanto... E essa concepção é colocada em segundo plano diante da luta urbana. Por quê?&lt;br /&gt;Não houve tempo de fazer a implantação do trabalho no campo. As coisas foram se precipitando de tal maneira na cidade que impediram que se fizesse uma base de sustentação no interior. Marighella iria para o interior no dia 9 de novembro, se não tivesse sido assassinado. Foi muito pouco tempo. Ele inclusive rodou pelo campo. Mas, depois que se deram aquelas quedas todas, ele achou que precisava reorganizar o trabalho todo da cidade, salvar a vida de muitos companheiros, parar, pensar, reformular muitas coisas e ver como acumular forças na luta contra a ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu fazer uma pergunta chata? Não aconteceu de a ALN ficar muito [centralizada] na pessoa de Marighella e ele não ter conseguido distribuir as responsabilidades de tal maneira que não ficasse tão dependente dele?&lt;br /&gt;Olha, mas em muitos momentos as coisas se deram sem o controle dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava dependendo, para dar certo, do controle dele?&lt;br /&gt;Não acho que seja isso. É claro que ele era a figura de mais peso, ele se tornou uma referência da resistência. Porque era um homem que tinha mais experiência, era a figura mais conhecida, o processo era muito novo, e ele se jogou na luta de peito aberto, mostrando que o povo brasileiro podia não se dobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim a ALN era o Marighella. Para as pessoas de fora, inclusive, passava muito essa imagem.&lt;br /&gt;Sim. Mas não era uma coisa dele, pessoal. A ditadura é que o transformou na figura central. Ao contrário, a grande batalha dele era tentar formar quadros. Ele tinha uma preocupação enorme, principalmente com os quadros jovens e com os quadros antigos que tinham se desligado do partido. Aí haveria um grupo grande de pessoas mais experimentadas politicamente, seria mais fácil. Isso é um dado real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a concepção de luta armada?&lt;br /&gt;Essa concepção foi sendo elaborada no processo da própria luta. Marighella escrevia muitos de seus textos baseado na própria prática revolucionária. O importante era captar o que estava aparecendo de novo na resistência para depois elaborar e divulgar. Entende? Essa era a visão dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, de certa forma, se contrapunha à visão clássica de vanguarda.&lt;br /&gt;Exatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclusive, uma das coisas que caracterizaram a ALN foi a participação de padres católicos dentro da ALN. O que Marighella pensava a respeito desse setor?&lt;br /&gt;Se você reler hoje o que ele escreveu em 1964, no livro Por que resisti à prisão, ele faz a defesa de todas as forças progressistas da Igreja e faz uma proposta de que era preciso unir todas as forças que, no Brasil, se opunham à ditadura militar, e dá um destaque também para o setor da Igreja, porque houve uma série de padres que foram perseguidos e presos após o golpe. No Brasil, naquele tempo, não se falava em Teologia da Libertação como se fala hoje. A Igreja progressista tinha um papel muito importante no seio do povo. Tinha influência muito grande nos trabalhadores, principalmente no trabalhador da cidade. Ele foi um dos primeiros a ver isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta de resistência foi se enfraquecendo diante do chamado "milagre econômico" que isolou aquele movimento. Essa combinação de fatores levou a derrotas profundas que culminaram com o massacre de 1969 em diante. Marighella morreu em 1969.&lt;br /&gt;Morreu não, foi assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assassinado no dia 4 de novembro. Você teria alguma coisa a falar sobre isso, gostaria?&lt;br /&gt;Olha, eu acho que a gente tem um compromisso perante o próprio povo brasileiro de acusar as forças que covardemente mataram o Marighella, como mataram outros revolucionários no Brasil: homens e mulheres. Na história brasileira, nos momentos mais cruciais do processo histórico, a luta nunca é travada abertamente. Quer dizer, as classes dominantes no Brasil, ao longo da história, quase sem exceção, se utilizam sempre do ataque traiçoeiro, covarde. Você pega até Zumbi, se você quiser ir mais para trás, há sempre delação e assassinato. É o caso de Tiradentes e outros mais. No caso do Marighella isso não foge à regra. Homens de uma vida muito coerente, que batalharam, combateram, para transformar essa sociedade injusta, que não quiseram utilizar muitas vezes um método de luta talvez mais violento, mas tiveram de o usar para responder a um processo cruel, desumano, contra o povo, esses homens não tiveram oportunidade de fazer um combate frontal. Não chegaram a ter tempo. Eles são sempre assassinados covardemente, como aconteceu com Marighella. Ele já estava apontado para morrer, marcado para morrer, desde o primeiro dia do golpe. A morte dele, o assassinato dele em 1969, é a conseqüência do que estava programado em 1964. Quem matou Marighella em 1969 matou o Chico Mendes agora e outras lideranças camponesas. Essas lideranças estavam fazendo alguma coisa? Estavam lutando pelo direito de ter a propriedade da terra. Não deram um tiro, não fizeram nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, como é que você reagiu, como é que foi a sua emoção?&lt;br /&gt;Foi brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você soube pelo rádio, pelos jornais ou alguém te falou?&lt;br /&gt;Soube logo em seguida. Embora a gente tenha se preparado o tempo todo, mas eu não queria falar sobre isso, não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Com a morte do Marighella você saiu do Brasil?&lt;br /&gt;Eu saí do Brasil em 1970, certo? Fui passando por aí e acabei ficando em Cuba. Em Cuba foi outra fase de minha vida. Fiquei nove anos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acha que lá você conseguiu reorganizar sua vida?&lt;br /&gt;Não. Eu reorganizei minha vida como você pode reorganizar no exílio. É diferente você reorganizar sua vida no exílio e reorganizar sua vida no país de origem. Uma das coisas mais bonitas que eu encontrei foi o comportamento do povo cubano em relação à gente. Em relação a todos os exilados. Cuba, para mim, foi muito especial. Primeiro, porque o povo cubano teve uma formação a partir do processo revolucionário, ele teve uma educação que intensificou muito o sentimento de solidariedade que já existia evidentemente no povo, mas que, com a Revolução de 1959 para cá, aumentou muito. A solidariedade ao povo chileno, quando houve o golpe no Chile, a chegada de milhares de famílias chilenas lá, de solidariedade ao povo de Angola, eu vivi todos aqueles momentos. E é uma coisa difícil de acreditar. Eu vi cenas, quando houve o golpe do Chile, como a do povo votando em praça pública, para dar uma casa para cada família latino-americana que chegasse como exilada em Cuba, apesar de o povo cubano não ter resolvido ainda o problema da habitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como foi sua posição diante das mudanças no cenário político nacional? Houve necessidade de uma reformulação. Como é que isso se deu com você?&lt;br /&gt;Durante um tempo grande nós ficamos no exílio sem notícias. Eram notícias esparsas, que chegavam de maneira muito precária. Exatamente quando começou a afrouxar um pouco a situação aqui, começaram a chegar informações. Mas passava muita gente por lá. Vinha de um lado, vinha de outro, com mil propostas, propostas as mais loucas, mas se falava muito na união das forças de esquerda. Queríamos saber quais os caminhos que seriam possíveis no Brasil. A ditadura ia cair por si só? O povo estava lutando? Quando foram surgindo as notícias desse movimento sindical combativo, nossa!, foi uma alegria enorme lá. Acho que foi a grande esperança que surgiu para o pessoal há tantos anos no exílio. Aí começaram a chegar as primeiras notícias de que estava se formando um partido diferente, o PT. Outros diziam que não, que não era bem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, você tem toda uma trajetória de militância e engajamento. No exílio você se sentiu marginalizada da luta?&lt;br /&gt;Não, eu não me senti marginalizada. Discutíamos muito a situação do Brasil, realizávamos atividades de solidariedade ao povo brasileiro e a outros povos da América e participávamos com o modelo de trabalho do processo de construção da sociedade socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos profissionais, em Cuba, você trabalhava em quê?&lt;br /&gt;Eu fiquei um tempo grande sem trabalhar. Estive doente, hospitalizada várias vezes, mas, enfim, eu trabalhei como tradutora em uma empresa muito importante de tradução simultânea que tem lá. Além disso, fiz trabalho voluntário no campo em fins de semana e participei de trabalhos de solidariedade e divulgação das metas do povo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é que você começou a ter notícias da reorganização partidária?&lt;br /&gt;O primeiro impacto não foi a reorganização partidária, o impacto lá foi a reorganização sindical, daquela grande concentração da Vila Euclides, nossa!, ninguém queria acreditar. A gente tinha saído daqui com o movimento sindical praticamente esmagado, esfacelado, foi uma alegria enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você voltou em que ano?&lt;br /&gt;Eu voltei em 1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças à Anistia?&lt;br /&gt;É. Voltei até sem documentos, porque eu não tinha passaporte. E o governo não queria autorizar a volta, porque eu não tinha documentação. Depois desses rolos, eu voltei e aí comecei a procurar emprego, a reorganizar minha vida aqui: não tinha absolutamente nada. Quando eu cheguei e comecei a conversar com as pessoas sobre o fato de ter sido anteriormente militante do PCB, durante tantos anos, o pessoal perguntava se eu ia voltar para o PC. Mas eu já tinha decidido entrar no PT, pelas características da formação do partido. Não foi fácil no começo, porque as pessoas diziam que eu não ia ter chance de discussão. Diziam: "Imagina, deve ter muito anticomunismo, você vai ser discriminada." Ouvi muito isso no começo. Eu pelo menos não senti, nunca, nenhum tipo de discriminação depois que eu voltei para o Brasil. Eu entrei para o PT, fui eleita para o primeiro Diretório Regional de São Paulo. Aliás, fui eleita três vezes, nos três diretórios seguidos. Entrei para a Comissão de Mulheres do PT, que era o meu grande interesse, poder continuar trabalhando na questão da mulher. Fui candidata pelo partido, não por opção, mas por proposta mesmo das mulheres e de outros setores do partido. Tive uma votação surpreendente, que possibilitou conversar com muita gente, encontrar muitas pessoas, debater idéias sobre o socialismo, foi muito importante a campanha de 1982. Continuei, não fui eleita, mas continuei no trabalho de organização partidária. Voltei a ser candidata em 1986, mas aí eu já estava bem baqueada de saúde e depois operei o coração — safenada. Atualmente eu estou na prefeitura [de São Paulo].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, estamos chegando ao final. Você tem a marca registrada da sua relação com o Marighella. Você acha que isso sufocou sua personalidade, sua atuação, sua participação ao longo desse processo, essa vinculação direta?&lt;br /&gt;Eu tenho a marca, evidentemente. Nós fomos companheiros de muitos anos, 21 anos, tendo vivido distantes muitas vezes, por força da circunstâncias. Mas Marighella nunca sufocou a vida de ninguém. Cada um tinha uma vida absolutamente independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era uma personalidade forte, uma presença forte, uma liderança reconhecida. Mas vivemos num país machista e, conseqüentemente, em que a mulher sempre ocupa um lugar subalterno. A realidade levou você a uma situação desse tipo?&lt;br /&gt;Não. Eu acho que nesse sentido, não. O que houve é que muitas vezes essa convivência criou limitações para o meu desenvolvimento, mas as limitações não foram impostas por ele. As limitações foram impostas pelo próprio processo de luta no Brasil. Nesse sentido podia ter sido com ele ou com outro.&lt;br /&gt;Eu queria aproveitar para desmistificar a imagem do revolucionário que é o herói acabado, perfeito, sabe? Marighella era um homem simples, generoso e lutador. Merece nossa homenagem, que também é extensiva a todos quantos lutaram, sofreram, foram torturados e assassinados. Queriam construir um outro país, com homens e mulheres livres e felizes. Desejo simples do ser humano. Por isso os lutadores estão em nosso coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;*Paulo de Tarso Venceslau, membro do Diretório Municipal do PT-SP e do Conselho de Redação de Teoria &amp;amp; Debate e pesquisador do DESEP/CUT. Maria Rita Kehl, psicanalista, escritora e editora-assistente de Teoria &amp;amp; Debate. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-618784071854977034?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/618784071854977034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/memoria-entrevista-com-clara-charf-duas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/618784071854977034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/618784071854977034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/memoria-entrevista-com-clara-charf-duas.html' title='Memória: Entrevista com Clara Charf - Duas histórias de luta, uma história de amor'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSG8a5iWiI/AAAAAAAAAY0/Ag9dV8Gj8rA/s72-c/Clara_Sharff_eterna_viuva.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634297172018327222.post-6965803277199017143</id><published>2009-11-01T12:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T12:51:53.169-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Atividade SP'/><title type='text'>Marighella receberá título de cidadão paulistano</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSLbBu8KaI/AAAAAAAAAZE/64PTR4pyaUs/s1600-h/CamaraSP_fotos(94).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401095149562112418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSLbBu8KaI/AAAAAAAAAZE/64PTR4pyaUs/s400/CamaraSP_fotos(94).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;No dia 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Marighella, em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro &lt;a href="http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/52/foto_mat_24072.jpg"&gt;&lt;/a&gt;da cidade de São Paulo. Nesse dia, Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa. A data será motivo de várias homenagens. Entre elas, a entrega do título de Cidadão Paulistano "in memorian", às 19h, no salão nobre da Câmara de Vereadores de São Paulo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A Câmara de Vereadores de São Paulo entregará, dia 4 de novembro, às 19 horas, o título de Cidadão Paulistando “in memorian” a Carlos Marighella, deputado constituinte em 1946 pelo Partido Comunista Brasileiro e criador da Ação Libertadora Nacional (ALN), que participou da resistência armada à ditadura militar. Iniciativa do vereador Ítalo Cardoso, a homenagem ocorrerá no salão nobre da Câmara Municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Marighella, em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro da cidade de São Paulo. Nesse dia, Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa. A data será motivo de várias homenagens.Ainda no dia 4, será realizado, às 11h, um ato político no local onde ele foi assassinado (Alameda Casa Branca, 806, Jardim Paulista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 18h, ocorrerá a exibição do filme “Marighella; retrato falado de um guerrilheiro”, de Silvio Tender, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo.No dia 7 de novembro, às 11h, será aberta a exposição “Marighella”, no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 11h30min, ocorrerá apresentação de poemas de Marighella, musicados pelo percussionista Dinho Nascimento, acompanhado por Gabriel Nascimento e Cecília Pellegrini. Às 12h30min, será a vez do espetáculo “O Amargo Santo da Purificação”, do grupo Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz. A exposição vai de 8/11 a 25/04 de 2010, com entrada gratuita de terça a domingo, entre às 10 e 17h30min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634297172018327222-6965803277199017143?l=marighellavive1969-2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/feeds/6965803277199017143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-recebera-titulo-de-cidadao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6965803277199017143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634297172018327222/posts/default/6965803277199017143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/2009/11/marighella-recebera-titulo-de-cidadao.html' title='Marighella receberá título de cidadão paulistano'/><author><name>Círculo Bolivariano Paulo Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15386881416517504196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nCUNW0--YdQ/SvSLbBu8KaI/AAAAAAAAAZE/64PTR4pyaUs/s72-c/CamaraSP_fotos(94).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
